Decoração natalina inusitada em Monte Belo divide opiniões ao homenagear a principal atividade econômica do município: a moda íntima.
Uma decoração de Natal diferente do tradicional virou assunto nas redes sociais e dividiu opiniões em Monte Belo, município localizado no Sul de Minas Gerais, a cerca de 399 quilômetros de Belo Horizonte. Instalado na Avenida Getúlio Vargas, o principal corredor urbano da cidade, um enfeite natalino em formato de calcinha iluminada chamou a atenção de moradores e visitantes, gerando debates sobre criatividade, identidade cultural e limites da ornamentação pública.
A estrutura faz referência direta à principal atividade econômica do município. Monte Belo é reconhecida oficialmente pelo Governo de Minas Gerais como Polo de Produção de Moda Íntima, título que destaca a importância do setor para o desenvolvimento local. A escolha do símbolo, segundo os organizadores, busca valorizar essa vocação econômica e reforçar o orgulho da cidade por sua produção têxtil.
Apesar da proposta, a decoração provocou reações diversas. Parte da população considerou o enfeite criativo e representativo, enquanto outros classificaram a iniciativa como inadequada para o período natalino, tradicionalmente associado a símbolos religiosos e familiares. As imagens do enfeite viralizaram rapidamente, ampliando o debate para além dos limites do município.
Em nota conjunta, a Associação Comercial e Industrial de Monte Belo (ACIMB) e a Feira da Moda Íntima de Monte Belo (FEAMMI) esclareceram que a chamada “calcinha iluminada” não deve ser vista apenas como um ornamento natalino, mas como um símbolo da identidade econômica e cultural da cidade. As entidades reconhecem que a forma chamou mais atenção do que o contexto, mas ressaltam que a intenção foi valorizar a história produtiva local.
De acordo com as entidades, a indústria da moda íntima em Monte Belo gera cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos, reúne aproximadamente 170 confecções ativas e distribui produtos para todas as regiões do Brasil, além de realizar exportações para outros países. O setor é considerado fundamental para a geração de renda, fortalecimento do comércio e projeção do município no cenário nacional.
A polêmica reacendeu discussões sobre o uso de símbolos locais em espaços públicos e sobre como tradição, inovação e identidade econômica podem coexistir. Para os defensores da iniciativa, a decoração representa criatividade e valorização da economia local. Já para os críticos, o episódio mostra a necessidade de maior diálogo com a comunidade antes da adoção de símbolos que fogem do convencional.
Fonte: agenciaminas/mg/gov/br/noticias