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Boa Vista - RR, 9 de maio de 2026 as 22:43

Um em cada cinco brasileiros já usou drogas ilícitas

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

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Levantamento nacional revela avanço do consumo, com aumento expressivo entre mulheres e maior vulnerabilidade entre adolescentes, sobretudo meninas.

Cerca de um em cada cinco brasileiros (18,7%) já fez uso de drogas ilícitas ao menos uma vez na vida, segundo dados atualizados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), coordenado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo aponta um cenário de expansão do consumo no país, com mudanças significativas no perfil dos usuários, especialmente entre mulheres e adolescentes.

De acordo com a pesquisa, 23,9% dos homens relataram já ter experimentado alguma substância psicoativa ilícita, enquanto entre as mulheres o índice foi de 13,9%. O dado que mais chama atenção é entre jovens menores de idade: pela primeira vez, a proporção de meninas que já experimentaram drogas supera a de meninos, indicando uma inversão histórica no padrão de consumo juvenil.

O Lenad revela ainda que mais de 13 milhões de brasileiros utilizaram drogas ilícitas até um ano antes da realização da pesquisa. Entre os adultos, o consumo recente passou de 6,3% em 2012 para 15,8% em 2023. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda mais acentuado, triplicando no período, de 3% para 10,6%, o que reforça a necessidade de políticas públicas específicas para esse grupo.

A terceira edição do levantamento manteve a mesma metodologia aplicada em 2006 e 2012, com 16.608 entrevistas realizadas entre 2022 e 2023, com pessoas a partir de 16 anos. Para a pesquisadora Clarice Madruga, uma das responsáveis pelo estudo, os dados evidenciam grupos em maior risco. “Os achados apontam a necessidade de priorizar ações voltadas às meninas, especialmente as mais jovens”, destacou.

O estudo também mostra diferenças regionais, com maior concentração de consumo nas regiões Sul e Sudeste, além de maior prevalência entre jovens adultos de 18 a 34 anos. Enquanto o uso de cocaína e crack apresenta relativa estabilidade, há crescimento no consumo de estimulantes sintéticos e alucinógenos, sobretudo em contextos recreativos urbanos.

No recorte internacional, o Brasil ocupa posição intermediária em prevalência de uso de drogas ilícitas, mas apresenta elevada carga de transtornos associados, impactando diretamente a rede de atenção psicossocial, serviços de urgência e políticas públicas de saúde e assistência social.

redação

Referência: https://portal.unifesp.br/