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Boa Vista - RR, 14 de outubro de 2026 as 01:48

Doenças inflamatórias intestinais crescem cinco vezes no Brasil

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Doenças inflamatórias intestinais crescem cinco vezes no Brasil

Estudo com dados do SUS aponta aumento de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025

O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais (DII) cresceu cinco vezes no Brasil entre 2012 e 2025. Segundo um estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, a prevalência dessas enfermidades passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no período.

Entre as principais doenças incluídas no levantamento estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. O estudo foi elaborado por pesquisadores ligados à Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), em parceria com profissionais de universidades brasileiras e estrangeiras.

A pesquisa utilizou registros do Sistema Único de Saúde (SUS) para analisar a evolução das doenças no país. Além do aumento no número total de pessoas diagnosticadas, os pesquisadores identificaram crescimento na quantidade de novos casos registrados anualmente.

Novos diagnósticos também aumentaram

De acordo com o levantamento, a taxa anual de novos diagnósticos passou de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025.

Os dados foram apresentados em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado até este sábado (26).

O trabalho foi desenvolvido por Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Também participaram pesquisadores de instituições como a Universidade de Calgary, no Canadá, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O que são doenças inflamatórias intestinais?

As doenças inflamatórias intestinais são condições crônicas que provocam inflamação no aparelho digestivo. Entre elas estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

Segundo os pesquisadores, essas enfermidades são multifatoriais. Isso significa que seu desenvolvimento pode envolver diferentes fatores, incluindo predisposição genética e elementos ambientais.

O pesquisador Abel Quaresma explicou que estudos anteriores já identificaram associações genéticas relacionadas às DII. No entanto, essas alterações não estão presentes em todos os pacientes.

Por isso, os pesquisadores também analisam fatores ambientais e mudanças nos hábitos de vida que podem estar relacionados ao crescimento observado.

Alimentação é investigada como possível fator

Entre os fatores ambientais mencionados pelos pesquisadores estão mudanças nos hábitos alimentares e o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.

Quaresma afirmou que esses produtos possuem diferentes aditivos, como conservantes, corantes e espessantes, que estão entre os elementos investigados na relação com as doenças inflamatórias intestinais.

Entretanto, é importante destacar que o estudo não estabelece os alimentos ultraprocessados como causa comprovada do aumento das DII. A pesquisa aponta possíveis fatores associados e reforça que as causas dessas doenças são múltiplas.

Além da alimentação, os pesquisadores mencionam fatores como genética e condições ambientais. A contribuição exata de cada elemento ainda é objeto de investigação científica.

Pesquisadores projetam aumento até 2035

O levantamento também apresenta projeções para os próximos anos.

Mantida a tendência observada na série histórica analisada, os pesquisadores estimam que a incidência de novos casos possa chegar a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035.

Já a prevalência poderá alcançar 264 casos por 100 mil habitantes no mesmo ano. Isso representaria aumento de aproximadamente 67% em relação aos 158 casos por 100 mil habitantes registrados em 2025.

As projeções, contudo, são estimativas baseadas em tendências anteriores. Portanto, podem sofrer alterações conforme novos dados sejam incorporados e outros fatores sejam identificados.

Doenças exigem acompanhamento contínuo

As doenças inflamatórias intestinais podem ser diagnosticadas ainda na juventude e exigem acompanhamento médico prolongado.

Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, o tratamento busca controlar a inflamação e os sintomas, já que as doenças são crônicas.

O acompanhamento pode envolver diferentes profissionais de saúde, dependendo das características e necessidades de cada paciente.

O aumento da prevalência também representa um desafio para o sistema de saúde, principalmente diante da necessidade de acompanhamento por longos períodos.

Crescimento chama atenção para a saúde pública

Para os pesquisadores, o aumento observado nos últimos anos demonstra uma mudança importante no cenário das doenças inflamatórias intestinais no Brasil.

A pesquisa aponta que condições que durante muito tempo apresentaram menor frequência passaram a atingir um número maior de pessoas.

Além disso, a tendência de crescimento dos novos diagnósticos e a projeção para os próximos anos reforçam a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas doenças e seus fatores associados.

Os pesquisadores destacam, porém, que ainda não existe uma única explicação para o crescimento registrado.

O avanço das pesquisas sobre genética, ambiente, alimentação e outros fatores poderá contribuir para compreender melhor o fenômeno e aperfeiçoar estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Fonte: Agência Brasil