ALERR debate inclusão e direitos das pessoas com deficiência
Podcast da Assembleia Legislativa reuniu profissionais para discutir acessibilidade, educação, saúde, esporte e participação social em Roraima
A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) promoveu, nesta sexta-feira (25), um podcast especial sobre os direitos e os desafios relacionados à inclusão das pessoas com deficiência. Com o tema “Setembro Verde: Inclusão que precisa ser vivida”, o programa reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir políticas públicas, acessibilidade e participação social no estado.
O programa foi realizado pela Superintendência de Comunicação (SupCom) da ALERR e transmitido pela TV Assembleia, no canal 57.3. Durante o debate, os participantes abordaram questões relacionadas à educação inclusiva, saúde, atendimento às famílias, comunicação, esporte paralímpico, mercado de trabalho e efetivação dos direitos previstos na legislação.
A discussão também destacou a importância da participação da sociedade para transformar as garantias previstas em lei em práticas presentes no cotidiano.
Debate aborda desafios da inclusão em Roraima
A jornalista Raynãa Fernandes, mediadora do podcast, destacou que o debate mostrou avanços na inclusão, mas também apontou desafios que ainda precisam ser enfrentados.
Segundo ela, a inclusão envolve não apenas a existência de leis, mas também mudanças na forma como a sociedade compreende e atende às pessoas com deficiência.
“Sim, estamos avançando, mas ainda não estamos no mundo ideal. Quando a gente fala de educação, de acesso, de facilitar a educação nos espaços de socialização e, principalmente, da mentalidade da nossa sociedade, esse é o ponto-chave”, afirmou.
A jornalista também ressaltou a importância da participação social para que as políticas públicas sejam efetivamente aplicadas.
Família tem papel nas políticas públicas
Durante o programa, o coordenador do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), Jourdan Galvão, falou sobre a importância de incluir as famílias nas discussões relacionadas às políticas públicas.
Segundo ele, o contato direto com familiares permite identificar necessidades e demandas que podem contribuir para a elaboração de ações voltadas às pessoas com deficiência.
“Quando a gente fala em inclusão, a gente tem que incluir, englobar a família e a sociedade como um todo. O Teamarr funciona como um receptor dessas informações familiares”, explicou.
Galvão afirmou ainda que o centro procura reunir informações apresentadas pelas famílias para contribuir com a discussão de políticas públicas destinadas a essa população.
Educação e saúde ainda apresentam desafios
A presidente da Associação Amardown, Francisca Evânia da Costa, destacou as dificuldades enfrentadas diariamente por famílias de pessoas com deficiência.
Segundo ela, embora tenham ocorrido avanços, ainda existem demandas importantes principalmente nas áreas de educação e saúde.
“A inclusão é muito bonita no papel, mas nós, por exemplo, lá da associação, sentimos a dificuldade diária das mães e de toda a família. Ainda falta muita coisa, principalmente na educação e na saúde”, afirmou.
Para a representante da associação, a discussão sobre inclusão precisa considerar as experiências vividas pelas famílias e as necessidades específicas de cada pessoa.
Acessibilidade vai além do acesso físico
A representante do Centro Estadual de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), Cynara Portella, chamou atenção para outro aspecto da inclusão: o acesso efetivo aos serviços.
Segundo ela, permitir que pessoas com deficiência estejam em espaços públicos não significa, necessariamente, garantir que consigam utilizar esses ambientes e serviços em igualdade de condições.
Como exemplo, ela citou as dificuldades enfrentadas por pessoas surdas no acesso aos serviços de saúde.
“Permitir que as pessoas surdas ou com outras deficiências estejam em ambientes públicos não quer dizer que exista inclusão”, afirmou.
Cynara também ressaltou a importância do diálogo entre profissionais, instituições, famílias e sociedade para identificar problemas e buscar soluções.
“Se nós não discutimos, se não debatemos, a gente não consegue dar um passo à frente. A gente fica na mesmice”, declarou.
Esporte também contribui para inclusão
O esporte foi outro tema discutido durante o podcast. A treinadora Ana Kesia Neves, do Centro de Referência Paralímpica em Roraima, explicou que a prática esportiva pode contribuir para a socialização, a qualidade de vida e a participação das pessoas com deficiência.
“O esporte entra para acrescentar ainda mais para a pessoa com deficiência uma opção de qualidade de vida, um local onde ela possa socializar e praticar esporte”, explicou.
Durante o debate, a treinadora também falou sobre a importância de adequar equipamentos e recursos às necessidades individuais dos atletas.
Ela citou o caso de uma aluna que relatava dores no braço. Ao analisar a situação, a equipe identificou que o desconforto estava relacionado à cadeira utilizada pela estudante, que era mais pesada e menos adequada para sua rotina.
Nos treinos, a aluna utilizava outro modelo, mais leve e que permitia maior liberdade de movimento.
O exemplo foi apresentado para mostrar que a inclusão também depende da identificação das necessidades específicas de cada pessoa.
Conhecimento sobre direitos é fundamental
Ao longo do podcast, os participantes destacaram que a inclusão envolve diferentes áreas e exige atuação integrada.
Educação, saúde, acessibilidade, esporte, atendimento especializado, participação familiar e acesso ao mercado de trabalho foram apontados como aspectos importantes para ampliar a participação das pessoas com deficiência na sociedade.
Nesse contexto, o conhecimento sobre os direitos previstos na legislação também foi apresentado como uma ferramenta para fortalecer a participação social.
A discussão do Setembro Verde reforçou ainda a necessidade de ampliar o diálogo entre pessoas com deficiência, famílias, profissionais, instituições públicas e sociedade.
Conteúdo será disponibilizado posteriormente
A ALERR informou que, em razão das regras aplicáveis ao período eleitoral, a íntegra do podcast será disponibilizada no canal oficial da Assembleia no YouTube, @assembleiaRR, somente após o período de campanha eleitoral.
O calendário do Tribunal Superior Eleitoral estabelece regras específicas para a propaganda eleitoral e para a comunicação durante as Eleições 2026. A propaganda eleitoral, inclusive na internet, está permitida desde 16 de agosto, enquanto a publicidade institucional dos órgãos públicos está sujeita às restrições previstas na legislação eleitoral.
Fonte: SupCom ALERR