Estimativas internas indicam queda de até 70% na produção de petróleo e risco de crise humanitária
A Venezuela se prepara para um grave colapso econômico caso o bloqueio imposto pelos Estados Unidos às exportações de petróleo seja mantido ao longo de 2026. Segundo projeções internas do governo venezuelano, o país pode perder a maior parte de sua principal fonte de receitas ainda neste ano, cenário que ameaça aprofundar a crise social e humanitária.
Mesmo antes da invasão norte-americana a Caracas e da prisão do presidente Nicolás Maduro, no último sábado, a economia venezuelana já enfrentava perspectivas extremamente negativas. O bloqueio parcial imposto por Washington deverá paralisar mais de 70% da produção nacional de petróleo, de acordo com pessoas com acesso às projeções elaboradas em dezembro.
A medida mais recente do governo do presidente Donald Trump, que passou a mirar petroleiros responsáveis pelo transporte de petróleo venezuelano para mercados asiáticos, praticamente interrompeu as exportações da estatal PDVSA. Sem conseguir escoar a produção, a empresa passou a redirecionar o petróleo para tanques terrestres e a utilizar navios parados nos portos como unidades flutuantes de armazenamento.
Especialistas do setor alertam, no entanto, que essa estratégia é apenas temporária. A empresa de monitoramento marítimo TankerTrackers estimou que a Venezuela teria capacidade de armazenamento apenas até o final de janeiro. A partir daí, a produção pode entrar em colapso de forma acelerada.
Caso o bloqueio continue em vigor, as estimativas apontam que a produção de petróleo venezuelana poderá cair de cerca de 1,2 milhão de barris por dia, no fim de 2025, para menos de 300 mil barris diários até o final deste ano. A redução comprometeria severamente a capacidade do Estado de importar alimentos, medicamentos e manter serviços básicos como energia e transporte.
A prisão de Nicolás Maduro aumentou ainda mais as incertezas sobre o futuro econômico do país. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os petroleiros sancionados continuarão impedidos de operar até que a Venezuela abra sua indústria petrolífera ao investimento estrangeiro, com prioridade para empresas americanas.
“Essa pressão continuará até que vejamos mudanças concretas que atendam ao interesse nacional dos Estados Unidos e levem a um futuro melhor para o povo venezuelano”, declarou Rubio em entrevista à emissora CBS.
Apesar da rigidez das sanções, sinais indicam tentativas de burlar o bloqueio. Desde o sábado, ao menos 16 petroleiros sancionados teriam tentado deixar portos venezuelanos, alguns deles desligando sistemas de rastreamento ou mascarando suas posições reais, segundo dados de monitoramento marítimo.
Analistas avaliam que, sem uma solução diplomática ou flexibilização das sanções, a Venezuela caminha para um novo ciclo de desabastecimento, retração econômica e agravamento da crise social, em um país que já enfrenta dificuldades profundas há mais de uma década.
Fonte: https://www.nytimes.com/
Reportagem de Caracas, Venezuela.