Inundações provocadas pelo colapso de uma geleira destruíram estradas, pontes, casas e estruturas na região do Himalaia
O número de mortos na tragédia que atingiu a região entre o Nepal e o Tibete chegou a 552 nesta sexta-feira (28), segundo os balanços divulgados pelas autoridades. São 547 mortes registradas no Nepal e cinco no território tibetano, na China. Mais de 1,4 mil pessoas continuam desaparecidas, incluindo turistas, peregrinos, trabalhadores e moradores da região.
O desastre aconteceu na quarta-feira (26), quando o colapso de parte de uma geleira provocou uma gigantesca onda de água, lama, gelo e detritos, atingindo áreas próximas à fronteira entre Nepal e China. A força da enxurrada destruiu casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia, além de atingir o importante posto de fronteira de Gyirong.
As equipes de emergência continuam mobilizadas para localizar sobreviventes e recuperar vítimas. O trabalho, porém, ocorre em condições difíceis devido à destruição da infraestrutura, às condições meteorológicas e ao risco de novas inundações.
Risco de novas inundações
As operações de resgate chegaram a ser interrompidas em alguns pontos depois que um lago formado pelo acúmulo de água e detritos apresentou risco de transbordamento.
As autoridades nepalesas chegaram a orientar moradores de áreas de risco a procurar locais mais altos após informações sobre uma possível ruptura de uma estrutura de retenção de água no lado tibetano.
Posteriormente, o risco foi considerado menor e as operações foram retomadas. Mesmo assim, equipes permanecem em alerta diante da possibilidade de novos fluxos de água e lama nas áreas atingidas.
Trabalhadores continuam desaparecidos
Entre as pessoas procuradas estão trabalhadores de projetos de infraestrutura e usinas hidrelétricas instaladas na região montanhosa.
No Nepal, o Exército trabalha para localizar mais de 100 trabalhadores que ficaram presos em um túnel de uma obra ligada ao projeto hidrelétrico Trishuli 3A.
Segundo as autoridades, aproximadamente 350 trabalhadores e moradores já haviam sido retirados da região. Helicópteros foram mobilizados para auxiliar nas operações, mas o acesso aos locais atingidos permanece difícil.
Turistas e peregrinos estão entre os desaparecidos
A região atingida é frequentada por turistas, montanhistas e peregrinos de diferentes países. O território tibetano, em especial, recebe visitantes que seguem em peregrinação ao Monte Kailash, considerado sagrado por diferentes tradições religiosas.
Centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos. Autoridades de vários países também trabalham para identificar seus cidadãos que estavam na região no momento da tragédia.
Na Índia, autoridades informaram que corpos foram encontrados dezenas de quilômetros rio abaixo, levados pela força das águas. Os restos mortais deverão passar por procedimentos de identificação para verificar se estão entre as pessoas desaparecidas.
Desastre atingiu dezenas de milhares de pessoas
Além das mortes e desaparecimentos, a dimensão da destruição provocada pela enxurrada é considerada enorme. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estima que aproximadamente 93 mil pessoas tenham sido afetadas e estejam necessitando de assistência.
Estradas e pontes foram destruídas, dificultando o acesso das equipes de resgate a algumas das áreas mais atingidas. A falta de energia elétrica e de comunicação também prejudicou as operações.
Colapso de geleira provocou a tragédia
As primeiras informações chegaram a relacionar o desastre a um possível terremoto. No entanto, análises posteriores apontaram o colapso de uma geleira e o consequente deslocamento de grandes volumes de água e detritos como a causa principal da catástrofe.
Especialistas também alertam para o aumento dos riscos associados ao derretimento e à instabilidade das geleiras do Himalaia. O aquecimento global contribui para a transformação das condições das montanhas e pode aumentar a vulnerabilidade a eventos extremos.
A tragédia já é considerada uma das mais graves ocorridas no Nepal nos últimos anos e supera, em número de vítimas, diversos desastres recentes registrados na região. As operações de busca e resgate continuam enquanto autoridades tentam localizar os desaparecidos e prestar assistência às comunidades atingidas.
Fonte: Jovem Pan