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Boa Vista - RR, 26 de junho de 2026 as 14:13

Sarcopenia atinge cerca de 17% dos idosos no Brasil

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Perda de massa muscular compromete autonomia, saúde física e mental e exige diagnóstico precoce, alimentação adequada e atividade física regular

A perda de massa e força muscular, conhecida como sarcopenia, afeta aproximadamente 17% dos idosos brasileiros, o que representa cerca de cinco milhões de pessoas em todo o país. Trata-se de uma condição que evolui de forma silenciosa e que, muitas vezes, não é diagnosticada nem tratada adequadamente. Seus impactos vão além da limitação física, comprometendo a autonomia, a qualidade de vida e até a expectativa de sobrevida da população idosa.

Segundo a geriatra Danielle Pessoa, do Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará (UFC/Ebserh), a sarcopenia é caracterizada pela redução da quantidade de músculos, principalmente nos braços e nas pernas, levando a um desempenho físico diminuído. A médica explica que a condição pode surgir tanto como consequência de outras doenças quanto de um envelhecimento associado ao sedentarismo e à falta de estímulos musculares. Ou seja, não se trata apenas de envelhecer, mas de como se envelhece.

A especialista alerta que a prevenção e o controle da sarcopenia passam, principalmente, por dois pilares fundamentais: alimentação adequada e prática regular de atividade física. Do ponto de vista nutricional, a ingestão correta de proteínas é essencial, já que os aminoácidos são indispensáveis para a formação e manutenção das fibras musculares. Para idosos sem restrições clínicas, a recomendação geral é o consumo de cerca de um grama de proteína por quilo de peso corporal por dia, distribuído ao longo das refeições.

Além da alimentação balanceada, a prática de exercícios físicos, especialmente os de fortalecimento muscular, é decisiva. A médica destaca que o músculo em desuso sofre atrofia, com redução do tamanho das fibras, diminuição da circulação sanguínea e piora da qualidade muscular. Esse processo favorece quedas, fraturas e perda de independência funcional.

As consequências da sarcopenia não tratada são amplas. O idoso pode evoluir para maior dependência de terceiros, isolamento social, sintomas depressivos e até déficits cognitivos. Estudos recentes indicam que o músculo atua como um verdadeiro órgão endócrino, influenciando o funcionamento de outros sistemas do corpo. Um músculo saudável contribui para a proteção da função cerebral, enquanto a perda muscular está associada à resistência à insulina, aumento da glicemia, elevação do colesterol e maior sobrecarga cardiovascular.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e da adoção de hábitos saudáveis para garantir um envelhecimento mais ativo, seguro e com melhor qualidade de vida.

Fonte: Agencias Brasil