Plantando informação de qualidade.

Boa Vista - RR, 25 de junho de 2026 as 16:27

Protestos econômicos no Irã deixam ao menos 35 mortos e 1.200 detidos

Compartilhe:

Manifestações já atingem 27 das 31 províncias do país; denúncias incluem ataque de forças de segurança a hospital

Pelo menos 35 pessoas morreram e mais de 1.200 foram detidas durante protestos econômicos que se espalham pelo Irã há mais de uma semana, segundo a organização Human Rights Activists News, com sede nos Estados Unidos. As manifestações já ocorreram em mais de 250 localidades, abrangendo 27 das 31 províncias iranianas.

De acordo com o levantamento, entre os mortos estão 29 manifestantes, quatro crianças e dois membros das forças de segurança. O grupo, que mantém uma rede de informantes dentro do país, tem histórico de precisão em protestos anteriores.

A agência semioficial Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, informou que cerca de 250 policiais e 45 integrantes da milícia Basij ficaram feridos nos confrontos. O governo iraniano, no entanto, não divulgou números oficiais de mortos ou detidos.

Investigação após denúncias em Ilam

Diante da repercussão, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian determinou que o Ministério do Interior conduza uma investigação especial sobre os acontecimentos na província de Ilam, no oeste do país. A região registrou mortes de manifestantes, e vídeos divulgados nas redes sociais mostram forças de segurança atirando contra civis.

A presidência iraniana também reconheceu um incidente em um hospital da cidade de Ilam, após imagens mostrarem agentes de segurança invadindo a unidade com equipamentos antimotim. Ativistas afirmam que os agentes procuravam manifestantes feridos.

O episódio foi duramente criticado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que classificou a ação como um “crime contra a humanidade”.
“Invadir hospitais, agredir profissionais de saúde e atacar feridos com gás lacrimogêneo e munição é inaceitável. Hospitais não são campos de batalha”, afirmou o órgão em publicação na rede X.

Governo fala em manifestantes armados

Autoridades iranianas alegaram, sem apresentar provas, que alguns manifestantes estariam armados com armas de fogo e granadas, especialmente na região oeste do país, próxima à fronteira com o Iraque. Até o momento, não há evidências independentes que confirmem essas acusações.

A província de Ilam, majoritariamente habitada por curdos e lures, enfrenta grave crise econômica, o que tem intensificado o descontentamento popular.

Crise econômica e ameaça de intervenção externa

Os protestos foram impulsionados pelo colapso da economia iraniana. Em dezembro, a moeda local, o rial, chegou a ser negociada a 1,4 milhão por dólar, agravando a inflação e a perda do poder de compra. Nesta terça-feira, a cotação chegou a 1,46 milhão de riais por dólar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que, caso o Irã continue a “matar manifestantes pacíficos”, Washington poderá intervir. A declaração provocou forte reação do regime iraniano, que ameaçou retaliar tropas americanas no Oriente Médio.

Maior onda desde 2022

Essas são as maiores manifestações no Irã desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, após ser detida por não usar o hijab corretamente, gerou protestos nacionais. Embora ainda não tenham alcançado a mesma intensidade daquele período, os atos atuais demonstram crescente instabilidade interna.

O líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, afirmou no sábado que “os manifestantes devem ser colocados em seu lugar”, sinalizando endurecimento da repressão.

Apesar da censura, restrições à imprensa e dificuldade de acesso à informação, os protestos continuam, impulsionados pela crise econômica, sanções internacionais e o descontentamento com o regime teocrático.

Fonte: aol.com