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Boa Vista - RR, 25 de junho de 2026 as 00:55

Plano de paz de Trump para Gaza enfrenta impasses

Anadolu via Getty Images

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Com Gaza destruída e Israel e Hamas sob forte pressão, avanços no plano de paz dos EUA emperram enquanto o último refém desaparecido segue sem solução.

Dois meses após a implementação do cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos, Gaza permanece estagnada na fase inicial do plano de paz proposto pelo presidente Donald Trump. A região, devastada pela guerra, segue dividida e com milhares de pessoas vivendo em abrigos improvisados, enquanto chuvas intensas agravam o cenário humanitário. Segundo estimativas da ONU, mais de 800 mil pessoas estão em áreas com risco de inundação, o que tem ampliado o sofrimento de famílias deslocadas.

Getty Images A woman fixes her tent as children stand inside at a makeshift camp sheltering displaced Palestinians after heavy rains in the Zeitoun neighbourhood of Gaza City on December 11, 2025

Entre elas está Ghadir al-Adham, que vive em uma tenda com o marido e seis filhos na Cidade de Gaza. Com o abrigo precário, as infiltrações de água tornaram-se parte da rotina, intensificando a desesperança diante da demora na reconstrução. Para ela, o maior desejo é poder oferecer um lar seguro e sólido aos filhos, um sonho que permanece distante enquanto o processo político segue travado.

No centro do impasse está o desaparecimento do último refém israelense ainda não localizado: Ran Gvili, sequestrado pelo Hamas durante os ataques de 7 de outubro de 2023. Embora Israel já tenha recebido a confirmação de sua morte, a ausência do corpo tem impedido o avanço para a segunda etapa do plano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste que nenhum passo será dado até que todos os reféns  vivos ou mortos  sejam oficialmente recuperados. A família de Gvili, pressionada pela incerteza, acusa o Hamas de esconder o corpo para utilizá-lo como moeda de negociação.

Do lado palestino, líderes do Hamas negam as acusações e afirmam que Israel tenta adiar a implementação do acordo. Esse jogo de forças deixa Gaza em suspensão, sem reconstrução, sem novo governo e sem perspectiva clara de mudança.

Especialistas também apontam motivos estratégicos para a estagnação. Segundo o general aposentado Israel Ziv, Israel e Hamas têm motivos distintos para não querer avançar rapidamente para a próxima etapa. O Hamas teme perder controle e influência, enquanto setores do governo israelense hesitam em entregar a segurança da região a uma força internacional, como previsto no plano americano. Ziv alerta que a demora pode fortalecer o Hamas e tornar o cenário ainda mais instável.

Enquanto isso, Trump pressiona por avanços. O presidente dos EUA deve anunciar em breve a composição de um Conselho de Paz para Gaza, encarregado de supervisionar as próximas fases do acordo. No entanto, sem consenso entre as partes e com tensões internas, o processo corre risco de colapso.

Propostas de construção de moradias temporárias em áreas controladas por Israel, especialmente em Rafah, também geram desconfiança. Embora possam oferecer abrigo a milhares de pessoas, muitos palestinos recusam a ideia de viver sob administração israelense, temendo uma fragmentação ainda maior do território.

Com a reconstrução parada, famílias vivendo sob chuva e frio, e decisões políticas emperradas, Gaza permanece à beira de um futuro incerto. Se o plano de Trump não avançar, especialistas temem que a região se torne ainda mais dividida e vulnerável.

Fonte: BBC