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Boa Vista - RR, 18 de maio de 2026 as 18:51

Governo prevê impacto de R$ 28 bi com ampliação da isenção do IR

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Em pronunciamento nacional, Lula afirma que desigualdade no Brasil alcança o menor nível da história, mas reforça que ainda é preciso avançar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na noite deste domingo (30), que a desigualdade social no Brasil atingiu o menor patamar já registrado. A declaração ocorreu ao apresentar medidas tributárias que entrarão em vigor a partir de janeiro, incluindo a isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores com salários de até R$ 5 mil e a elevação da taxação para contribuintes de alta renda.

A sanção das mudanças ocorreu na última quarta-feira (26), em Brasília, e marca o cumprimento de uma das principais promessas da campanha presidencial de 2022. Segundo Lula, a nova política fiscal busca corrigir distorções históricas do sistema tributário brasileiro.

Impacto econômico e distribuição de renda

Durante o pronunciamento, de cerca de seis minutos, Lula afirmou que as medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla de redução das desigualdades. “Graças a essas e outras políticas, a desigualdade no Brasil é hoje a menor da história. Mesmo assim, o Brasil continua a ser um dos países mais desiguais do mundo. O 1% mais rico acumula 63% da riqueza do país, enquanto a metade mais pobre detém apenas 2%”, declarou.

O presidente ainda citou programas recentes, como Pé-de-Meia, Luz do Povo e Gás do Povo, como exemplos de ações coordenadas para gerar inclusão social. “Seguiremos firmes combatendo os privilégios de poucos, para defender os direitos e as oportunidades de muitos”, completou.

Quem será beneficiado e quanto pode economizar

Com a isenção, trabalhadores com salários de até R$ 5 mil deixarão de pagar IR. Lula apresentou exemplos calculados pelo governo para ilustrar o impacto financeiro: uma pessoa que recebe R$ 4.800 mensais economizará cerca de R$ 4 mil por ano — o equivalente a quase um 14º salário.

O governo estima que a medida coloque R$ 28 bilhões em circulação na economia brasileira em 2025.

Taxação dos super-ricos compensa perda de arrecadação

Para equilibrar as contas públicas, a nova legislação cria uma alíquota adicional de até 10% para contribuintes que recebem mais de R$ 600 mil por ano — aproximadamente 140 mil brasileiros. De acordo com o governo, esse grupo representa pessoas que ganham “vinte, cem vezes mais do que 99% do povo brasileiro”.

Atualmente, indivíduos de alta renda pagam, em média, apenas 2,5% de IR quando se consideram lucros, dividendos e outros rendimentos financeiros. Trabalhadores assalariados, em comparação, arcam com uma carga entre 9% e 11%.

O que não muda

A tabela do Imposto de Renda não foi corrigida integralmente. A maior alíquota de 27,5% continua válida para quem recebe mais de R$ 7.350 mensais. Segundo cálculos da equipe econômica, atualizar toda a tabela custaria mais de R$ 100 bilhões por ano aos cofres públicos.

Rendimentos como heranças, doações, aposentadorias por doenças graves, indenizações, rendimentos acumulados, poupança e aplicações isentas não entram na nova regra.

Próximos passos

Com as mudanças, o governo pretende promover uma redistribuição gradual de renda, mantendo o consumo interno aquecido sem comprometer o equilíbrio fiscal. A equipe econômica avalia que os resultados mais expressivos serão percebidos ao longo de 2025.

Redação