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Boa Vista - RR, 18 de maio de 2026 as 19:43

Alerta médico: juventude enfrenta risco maior de hipertensão

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Hipertensão infantil dobra em 20 anos e acende alerta global entre especialistas

Um estudo publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health revelou que a hipertensão arterial tradicionalmente associada à população adulta  vem crescendo de forma preocupante entre crianças e adolescentes. A análise, conduzida por pesquisadores chineses e britânicos, comparou dados coletados entre 2000 e 2020 e apontou que a prevalência da doença em jovens de até 19 anos dobrou, passando de 3% para 6% no período. Hoje, estima-se que cerca de 114 milhões de crianças e adolescentes no mundo convivem com pressão alta.

A hipertensão é uma das doenças crônicas mais prevalentes no planeta e pode se manifestar em qualquer idade. Contudo, o aumento acelerado entre jovens tem surpreendido especialistas. Segundo o cardiologista Renault Ribeiro Júnior, coordenador de cardiologia do Hospital Santa Lúcia (Brasília), o principal fator impulsionador do crescimento está ligado ao estilo de vida contemporâneo.

“Uma rotina alimentar rica em ultraprocessados, associada à falta de atividade física, vem antecipando o ciclo da hipertensão. Se quisermos ter uma geração saudável, isso deve começar dentro de nossas casas”, explica o médico.

Riscos cardiovasculares começam mais cedo

Para os profissionais de saúde, o aspecto mais preocupante é o impacto da doença sobre o sistema cardiovascular no longo prazo. Quanto mais cedo a hipertensão se instala, maiores são os riscos de complicações graves ainda na juventude, como:

  • AVC (acidente vascular cerebral)

  • Infarto do miocárdio

  • Insuficiência cardíaca

  • Danos renais

  • Rigidez arterial precoce

  • Comprometimento do crescimento e desenvolvimento corporal

De acordo com a nutricionista Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), a hipertensão infantil tende a se perpetuar ao longo da vida.

“Crianças hipertensas têm alta chance de se tornarem adultos hipertensos, criando um ciclo que aumenta o risco de mortalidade cardiovascular”, reforça.


Sinal de alerta

Especialistas destacam que ações preventivas são urgentes e devem envolver famílias, escolas e o sistema de saúde. Alimentação equilibrada, atividade física regular e consultas pediátricas periódicas podem evitar ou retardar o avanço da hipertensão infantil e proteger gerações futuras dos impactos graves da doença.

Métodos

Nesta revisão e análise sistemática, pesquisamos no PubMed, Embase e MEDLINE estudos populacionais publicados entre 1º de janeiro de 2000 e 19 de abril de 2025, relatando a prevalência de hipertensão na população pediátrica geral com 19 anos ou menos. Isso foi complementado por estudos elegíveis identificados a partir de revisões sistemáticas relevantes e triagem manual de referências. Dois revisores examinaram independentemente os registros quanto à elegibilidade, extraíram dados em nível de estudo e avaliaram o risco de viés. Meta-análise de efeitos aleatórios foi usada para estimar a prevalência agrupada. Análises em subgrupos foram realizadas por idade, sexo, ambiente (urbano vs rural), dispositivo, período de investigação, grupo de IMC e regiões da OMS e Banco Mundial. Meta-regressão foi realizada para examinar prevalência específica por idade, prevalência específica por sexo e tendências seculares. Os desfechos primários foram a prevalência de hipertensão infantil avaliada usando medições repetidas de pressão arterial no consultório baseadas em pelo menos três ocasiões distintas (abordagem no consultório) e uma combinação de medições de pressão arterial no consultório e fora do consultório (abordagem combinada). Este estudo foi registrado no PROSPERO, CRD420251057655.

Resultados

Identificamos 11.703 registros em buscas em bancos de dados, complementados por 87 artigos recuperados de revisões sistemáticas relevantes e triagem manual de referências. No total, 96 artigos atenderam aos critérios de inclusão, todos avaliados com pontuações de qualidade de pelo menos 5. Para a abordagem presencial, 83 artigos incluíram um total de 443.914 crianças e adolescentes em 21 países. Com base em 81 artigos, a prevalência combinada de hipertensão infantil foi de 4,28% (IC 95% 3,71–4,90). A prevalência aumentou com a idade, atingindo o pico aos 14 anos antes de diminuir. Entre 2000 e 2020, a prevalência de hipertensão infantil quase dobrou, aumentando de 3,40% (IC 95% 2,14–5,34) para 6,53% (4,17–10,07) nos meninos e de 3,02% (1,90–4,75) para 5,82% (3,71–9,01) nas meninas. Sobre a abordagem combinada, 15 artigos incluíram 12.597 crianças e adolescentes de nove países. A prevalência combinada foi de 6,67% (IC 95% 1,66–14,53) para hipertensão sustentada, com base em cinco artigos.

Interpretação

A hipertensão infantil afeta uma proporção substancial e crescente da população pediátrica global, com prevalência variando consideravelmente conforme a abordagem diagnóstica. Esses achados ressaltam a necessidade de critérios diagnósticos harmonizados na pesquisa sobre hipertensão pediátrica.

Fonte: thelancet.com/ Metropoles