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Boa Vista - RR, 7 de maio de 2026 as 15:55

Chuvas em Minas Gerais deixam mortos e desaparecidos na Zona da Mata

Foto: Divulgação/CBMMG

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Chuvas em Minas Gerais: moradores relatam cenas de desespero e mortes na Zona da Mata

As chuvas em Minas Gerais provocaram uma tragédia histórica na região da Zona da Mata nesta semana. Temporais que atingiram cidades como Juiz de Fora e Ubá deixaram ao menos 62 mortos e sete desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

Moradores relatam cenas de desespero, pessoas presas dentro de casa pedindo socorro e bairros inteiros destruídos pela força da água. Em poucas horas, o volume de chuva superou quase toda a média prevista para o mês.


Volume extremo de chuva agravou tragédia

Em Juiz de Fora, o acumulado chegou a cerca de 80% da média esperada para todo o mês em apenas sete horas. Já em Ubá, choveu aproximadamente 170 mm em cerca de três horas e meia.

O rio Ubá atingiu 7,82 metros e transbordou, inundando diversos bairros. A força da água arrastou carros, motos, caminhões e até botijões de gás.

As chuvas em Minas Gerais causaram destruição generalizada, levando prefeituras a decretarem estado de calamidade pública.


Foto:Lucas Gandra

“Vi pessoas presas dentro de casa pedindo socorro”

Morador da região da Beira Rio, em Ubá, o gerente de e-commerce Lucas Gandra recebeu o primeiro alerta pouco depois da meia-noite.

“Às 00h07 a água já estava transbordando e às 00h20 já estava fazendo um estrago enorme. Subiu muito rápido”, relatou.

Ele descreveu momentos dramáticos:

“Vi pessoas que estavam presas dentro de casa pedindo por socorro e a gente não tinha nada o que fazer. Teve uma casa em que eu sinceramente achei que ia ver as pessoas morrendo afogadas.”

Segundo ele, a cidade já enfrentou enchentes entre 2019 e 2020, mas nada comparado ao que ocorreu agora.

“É uma enchente que não se limitou a perdas materiais. Teve gente que morreu saindo para ajudar”, lamentou.


Foto:Andre Coelho/EPA/Shutterstock

Moradores registram cenário de horror

A dentista Carolina Magalhães acordou durante a madrugada com o aviso de que a água estava subindo rapidamente.

Em poucos minutos, a enchente já atingia o primeiro andar do prédio onde mora.

“A sensação na hora era que ia acontecer alguma coisa grave com a gente. Foi desesperador”, contou.

Da janela, ela registrou veículos sendo carregados pela enxurrada.

“Primeiro passou lixo, depois veio freezer, cadeira, carros, motos, muitos botijões de gás. Até que passou uma van e um caminhão carregados pela água. Uma cena de horror.”

As imagens mostram o nível da devastação provocada pelas chuvas em Minas Gerais, que deixaram centenas de famílias desalojadas.


Juiz de Fora enfrenta cenário caótico

Em Juiz de Fora, a gerente de vendas Isabela Lourenço relatou que a cidade foi atingida de forma generalizada.

“A cidade já teve alagamentos antes, mas em bairros específicos. Dessa vez o impacto foi em toda a cidade.”

Ao menos 20 imóveis foram soterrados, principalmente na região sudeste. Cerca de 440 pessoas ficaram desabrigadas e foram acolhidas em escolas municipais.

As três principais avenidas da cidade ficaram alagadas, com túneis interditados e vias bloqueadas.


“Cenário de guerra” após recuo da água

Com a diminuição do nível da água, moradores passaram a limpar casas e contabilizar prejuízos.

“Hoje, quando saí de casa, vi um cenário de guerra, devastador”, descreveu Lucas Gandra.

No comércio onde trabalha, paredes foram quebradas, vidraças estouraram e o estoque foi praticamente perdido.

“Não tem como trabalhar, pensar em faturar. A cidade não comporta infraestrutura para coleta e despacho de pedidos. Uma sensação terrível de impotência.”

A médica Marcela Barbosa, que estava de plantão em um município vizinho, afirmou que mal reconheceu Ubá ao retornar.

“Está tudo cheio de lama, uma destruição total.”


Fenômenos climáticos explicam tempestade histórica

Especialistas apontam que a tragédia foi causada por uma combinação de três fenômenos climáticos:

  • Frente fria

  • Cavado atmosférico

  • Formação de supercélula

Segundo a meteorologista Maria Clara Sassaki, a passagem de uma frente fria pelo Sudeste provocou forte instabilidade, com acumulados significativos na Zona da Mata Mineira.

A supercélula, uma nuvem gigante com corrente de ar ascendente rotativa (mesociclone), é considerada a forma mais severa de tempestade.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), supercélulas podem produzir:

  • Ventos intensos

  • Chuvas volumosas

  • Granizo

  • Tornados

  • Enchentes

  • Descargas elétricas

O cavado, por sua vez, é uma região alongada de baixa pressão que favorece a subida do ar e a formação de tempestades, funcionando como um mecanismo que intensifica o desenvolvimento das nuvens.

A combinação desses fatores resultou nas fortes chuvas em Minas Gerais, consideradas uma das mais severas já registradas na região.


Impacto humano e reconstrução

Além dos danos estruturais, a tragédia deixou marcas profundas nas famílias afetadas. Muitos moradores perderam casas, móveis, veículos e estoques comerciais.

Apesar do cenário devastador, relatos também destacam a solidariedade entre vizinhos e o esforço coletivo para reconstrução.

“Minha família está bem, mas materialmente vai ser um baque. Agora é limpar e seguir em frente”, afirmou Gandra.

As equipes da Defesa Civil seguem monitorando áreas de risco, enquanto as buscas por desaparecidos continuam.

Fonte: BBC