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Boa Vista - RR, 19 de outubro de 2026 as 18:26

Capoeira fortalece cultura e cidadania entre jovens em Roraima

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Atividade gratuita no Centro de Convivência da Juventude promove saúde, disciplina e valorização da cultura afro-brasileira.

A capoeira une esporte, cultura e formação cidadã em Roraima. Oferecida gratuitamente pelo Centro de Convivência da Juventude (CCJuv), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), a modalidade contribui para o desenvolvimento físico e social de crianças e adolescentes, além de preservar tradições da cultura afro-brasileira.

O dia 18 de outubro é reconhecido como o Dia Estadual do Capoeirista e do Ofício de Mestre de Capoeira, conforme a Lei Estadual nº 1.778/2023. A legislação busca incentivar a valorização da modalidade e promover ações de preservação e divulgação dessa manifestação cultural, inclusive nas escolas da rede estadual.

O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, deputado Jorge Everton, destaca a importância de iniciativas que reconheçam as tradições e mantenham viva a história do povo.

“A criação de leis que valorizam a nossa cultura e preservam a história do nosso povo é fundamental para manter vivas as nossas tradições e garantir que elas sejam conhecidas pelas novas gerações. A capoeira representa resistência, identidade e cidadania, e reconhecer essa manifestação é também valorizar as pessoas que mantêm essa história viva”, afirmou.

Capoeira promove saúde e valorização cultural

No Centro de Convivência da Juventude, as aulas gratuitas atendem alunos de diferentes idades. Além de trabalhar força, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora, a atividade aproxima os participantes das raízes históricas e culturais do Brasil.

A superintendente de Programas Especiais, Marília Pinto, ressalta que a capoeira também ajuda a combater preconceitos e ampliar o acesso das crianças à modalidade.

“A capoeira trabalha vários elementos e traz toda uma história, um ritual, nos remete às tradições africanas e às origens da nossa cultura. Às vezes, as pessoas não conseguem compreender como arte e confundem isso com algo espiritualista. Essa falta de compreensão acaba limitando a inclusão de mais crianças”, avaliou.

A prática reúne música, ritmo, movimentos corporais e interação entre os participantes. Dessa forma, as aulas favorecem tanto o desenvolvimento físico quanto a convivência, o respeito e a disciplina.

Mestre destaca formação humana dentro e fora da roda

Com 35 anos de vivência na capoeira e quatro anos de atuação como professor, o mestre Mayc Araújo considera a modalidade uma ferramenta de transformação social.

Para ele, o aprendizado vai além dos golpes e movimentos: envolve disciplina, responsabilidade e construção de valores que podem acompanhar os alunos em diferentes momentos da vida.

“A capoeira é uma arte que encanta e recebe muitas pessoas. Para mim, é resistência. Hoje, ela também está ajudando muita gente a encontrar um caminho melhor”, destacou.

O professor afirma que seu objetivo é contribuir para a formação de pessoas conscientes de suas escolhas e preparadas para construir um futuro melhor.

“Aqui, a gente aprende principalmente a ser um ser humano, uma pessoa de valor, que quer alguma coisa para o futuro. Eu quero formar cidadãos, pessoas de bem”, afirmou.

Alunos relatam benefícios da capoeira

As experiências dos alunos mostram como a modalidade pode contribuir para a autoestima, o bem-estar e o reconhecimento da própria identidade cultural.

Paulo Gabriel, de 15 anos, pratica capoeira há dois anos. Ele conta que, além de aprender os movimentos, passou a compreender melhor o significado cultural da atividade. O adolescente também relata que ainda existem comentários preconceituosos sobre a modalidade.

“Existe muito preconceito. Falam que capoeira é macumba, mas, para mim, ela não tem religião, é uma cultura. Praticar me deixa mais leve”, relatou.

Alessandra Rodrigues, de 13 anos, frequenta as aulas há dois anos. Incentivada pelo pai, começou a praticar para aprender movimentos de defesa pessoal, mas acabou se identificando com a atividade.

“Eu vi que os movimentos eram bonitos, que era legal. Meu pai me colocou para aprender a me defender, e eu gostei. Aqui eu me sinto bem”, contou.

Já Isabelly Lima, de nove anos, pratica capoeira há dois anos e meio. Ela conheceu a modalidade por meio da mãe e afirma que encontrou no esporte uma atividade que lhe proporciona satisfação e bem-estar.

“Eu sinto uma energia boa e me sinto bem. Depois que comecei na capoeira, fiquei com uma energia muito melhor. Hoje, é um dos meus esportes favoritos”, disse.

Lei reconhece o Dia Estadual do Capoeirista

A Lei Estadual nº 1.778/2023 estabelece o dia 18 de outubro como uma data dedicada aos capoeiristas e aos mestres da modalidade em Roraima.

Entre as diretrizes previstas estão o incentivo a ações de preservação, divulgação e valorização da capoeira, inclusive por meio de atividades nas escolas estaduais. A legislação também estabelece que as comemorações sejam realizadas ao ar livre, sem cobrança de ingressos ou taxas de participação.

A iniciativa reconhece a importância histórica e cultural da capoeira e dos profissionais que mantêm essa tradição viva.

Com aulas gratuitas e atividades voltadas à formação integral, o Centro de Convivência da Juventude contribui para aproximar crianças e adolescentes dessa expressão cultural, incentivando o esporte, o respeito à diversidade e a construção da cidadania.

 

Fonte: SupCom ALERR