Plantando informação de qualidade.

Boa Vista - RR, 13 de outubro de 2026 as 17:32

Alto  Alegre produz mil toneladas de peixe por ano – SEBRAE

Compartilhe:

José Carlos transformou uma área de pastagem degradada na Fazenda Peixópolis, especializada na criação de tambaqui e referência de produção em Roraima, segundo o Sebrae.

Uma área de pastagem degradada e abandonada deu lugar a uma propriedade rural dedicada à piscicultura, com produção de aproximadamente mil toneladas de peixes por ano e cerca de 15 empregos diretos. Esse é o resultado do trabalho do produtor rural José Carlos, responsável pela Fazenda Peixópolis, localizada em Alto Alegre, no interior de Roraima.

A trajetória começou em 2010, quando ele ingressou na piscicultura por meio de parcerias e áreas arrendadas. Anos depois, em 2019, adquiriu a propriedade onde implantou a estrutura voltada à criação de peixes, com destaque para o tambaqui, uma das espécies importantes para a cadeia produtiva regional.

A história foi apresentada pelo Sebrae Roraima e mostra como planejamento, regularização, investimentos em infraestrutura e busca por conhecimento fizeram parte da implantação do empreendimento.

De pastagem degradada a uma fazenda de piscicultura

Filho de colonos que chegaram a Roraima em 1984 em busca de novas oportunidades, José Carlos cresceu próximo da realidade rural. Técnico agrícola e formado em Agronomia, ele decidiu investir na criação de peixes e encontrou na propriedade de Alto Alegre as condições necessárias para desenvolver o projeto.

Segundo o produtor, a escolha levou em consideração três fatores: acesso por estrada, proximidade de um rio e disponibilidade de energia elétrica trifásica.

Apesar do potencial da área, havia desafios antes de iniciar a produção. O imóvel precisava passar por etapas de regularização fundiária e ambiental. Além disso, o terreno era composto por pastagem degradada e estava abandonado havia aproximadamente três ou quatro anos.

Após encaminhar a regularização, José Carlos iniciou a construção da infraestrutura necessária para a atividade. O trabalho incluiu a instalação de cercas, construção de viveiros, implantação da rede elétrica e abertura de estradas internas.

“Eu construí tudo lá. Desde a cerca, os tanques, a rede elétrica, as estradas internas. Tudo foi sendo feito para transformar aquela área em uma propriedade realmente voltada para a piscicultura”, explicou o produtor.

Tambaqui lidera a produção da Fazenda Peixópolis

A criação comercial da Fazenda Peixópolis tem o tambaqui como principal espécie. A propriedade também mantém peixes como matrinxã, pirarucu e curimba, embora, segundo José Carlos, essas espécies não sejam comercializadas atualmente pela fazenda.

A produção anual informada é de aproximadamente mil toneladas, enquanto a atividade mantém cerca de 15 postos de trabalho diretos.

O planejamento das retiradas dos peixes, conhecidas como despesca, acompanha a demanda do mercado e a programação de vendas. Dependendo do período, a fazenda pode realizar uma retirada por mês, fazer duas ou passar até dois meses sem uma nova despesca.

A estratégia permite organizar o ciclo produtivo de acordo com as necessidades comerciais e as condições de manejo.

Tecnologia e manejo buscam aumentar a eficiência

A produção da Fazenda Peixópolis é mecanizada e utiliza ferramentas de gestão para acompanhar as diferentes etapas da criação. Segundo o produtor, a propriedade também implantou um software específico para o gerenciamento da piscicultura e uma ferramenta voltada ao bem-estar animal.

José Carlos afirma que realiza testes de manejo na própria fazenda para avaliar os resultados de diferentes densidades de criação. Entre os índices citados por ele estão produções de até 40 toneladas por hectare para tambaquis de até um quilo.

Na fase de engorda, o produtor relata índices de aproximadamente 15 toneladas por hectare para peixes de até 3,5 quilos e entre 20 e 25 toneladas por hectare para animais de até 2,5 quilos.

Esses números correspondem aos resultados informados pelo produtor e podem variar conforme as condições de criação, a qualidade da água, a alimentação e o manejo adotado.

Mesmo com os resultados alcançados, José Carlos considera que a atividade ainda está em processo de consolidação. Entre os próximos passos estão investimentos em automação, reprodução e genética, áreas que ele considera importantes para ampliar a eficiência da produção.

A fazenda também estuda a implantação de um laboratório e a possibilidade de integrar a piscicultura a outras atividades rurais. Uma das propostas é aproveitar a água dos viveiros, rica em nutrientes, no cultivo de frutas ou macaxeira.

Rastreabilidade acompanha o caminho do peixe

Para o produtor, uma das principais conquistas está na possibilidade de acompanhar o desenvolvimento dos peixes e monitorar indicadores como alimentação, conversão alimentar e qualidade do produto.

“Uma das coisas que mais me dá satisfação é ver a produção acontecendo, acompanhar a conversão alimentar, a qualidade do alimento que está sendo produzido e saber de onde veio aquele peixe. A gente consegue rastrear todo o processo”, contou.

O acompanhamento das etapas produtivas contribui para a gestão da propriedade e permite identificar oportunidades de melhoria no manejo.

A rastreabilidade também pode ser relevante para oferecer informações sobre a origem do pescado e os procedimentos adotados durante a produção, desde que os registros e controles correspondentes estejam implementados.

Cooperativismo pode reduzir custos no campo

Além dos investimentos em tecnologia, José Carlos destaca o cooperativismo como instrumento para melhorar as condições comerciais dos produtores rurais.

Segundo ele, as compras coletivas ampliam o poder de negociação e podem reduzir os custos de insumos utilizados na produção.

O produtor relata que, em experiências de compras em conjunto, foram registradas reduções de aproximadamente 30% no custo da ração, de 20% a 25% na compra de sal mineral para a pecuária e de até 40% em determinados produtos utilizados na piscicultura, como biorremediadores.

Os percentuais foram informados pelo produtor e podem variar conforme os produtos, os fornecedores, os volumes negociados e as condições de compra.

“O cooperativismo é primordial. Quando você consegue fazer uma compra em bloco, você ganha poder de negociação. Mas precisa ser trabalhado de uma forma correta, com honestidade e organização, porque aí o produtor consegue realmente sentir o resultado”, afirmou.

A experiência relatada destaca como a organização coletiva pode contribuir para reduzir despesas e melhorar a competitividade dos empreendimentos rurais.

Capacitação acompanha o crescimento do negócio

A busca por conhecimento também faz parte da trajetória de José Carlos. O produtor afirma manter uma relação antiga com o Sebrae e ter participado de dezenas de capacitações, além de já ter atuado como instrutor e prestador de serviços em ações da instituição.

Ele também participou de missões e atividades voltadas ao conhecimento de outros mercados, com viagens ao Panamá, à Venezuela e à Guiana. Segundo o relato, uma viagem à China está prevista.

Para José Carlos, a troca de experiências, as visitas técnicas e o contato com novas tecnologias ajudam o produtor a identificar oportunidades e aprimorar a gestão da propriedade.

“O Sebrae tem uma metodologia muito boa e uma equipe muito profissional. As capacitações, as visitas técnicas e as missões ajudam o produtor a enxergar outras possibilidades e a buscar melhorias para o próprio negócio”, afirmou.

A expectativa é continuar investindo em automação, reprodução e genética, mantendo o planejamento como parte da estratégia de crescimento da Fazenda Peixópolis.

Roraima Agroind e Festival do Tambaqui movimentam Alto Alegre

A trajetória da Fazenda Peixópolis foi apresentada no contexto do Roraima Agroind, iniciativa voltada ao fortalecimento das agroindústrias e do agronegócio no estado.

Em sua terceira edição, o evento reúne máquinas, equipamentos e tecnologias, além de promover oportunidades de negócios e incentivar a agregação de valor à produção local.

Em 2026, a programação ocorre simultaneamente ao I Festival do Tambaqui, de 9 a 11 de outubro, em Alto Alegre. A realização é conjunta entre o Sebrae Roraima e a Prefeitura de Alto Alegre.

O festival destaca a piscicultura, os produtores locais e a gastronomia regional. A programação inclui a Rota do Tambaqui, iniciativa voltada à valorização do pescado e ao estímulo à comercialização.

A expectativa divulgada pelos organizadores é receber mais de 3 mil pessoas e movimentar mais de R$ 2 milhões em negócios.

Além de dar visibilidade à cadeia produtiva do tambaqui, a iniciativa busca ampliar oportunidades comerciais, fortalecer pequenos negócios e contribuir para a geração de renda e o desenvolvimento econômico de Alto Alegre e de Roraima.

 

SEBRAE/ RR