Decisão abre caminho para maior integração econômica entre os blocos, apesar da forte oposição de agricultores franceses e de resistências políticas internas.
Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9/1), o acordo comercial firmado com o Mercosul. A medida representa um avanço significativo em negociações que se arrastam há mais de duas décadas e busca aprofundar a integração econômica entre dois dos maiores blocos comerciais do mundo. No entanto, o caminho para a implementação plena ainda enfrenta resistências políticas e sociais dentro da Europa, especialmente no setor agrícola francês.
O presidente da França, Emmanuel Macron, já havia anunciado que votaria contra o acordo, classificando o tratado como prejudicial aos produtores rurais franceses. Agricultores do país realizaram protestos e pressionam o governo sob o argumento de que a entrada de produtos agropecuários originados no Mercosul poderá gerar concorrência desleal, uma vez que países latino-americanos operam sob regras ambientais, sanitárias e trabalhistas diferentes daquelas exigidas pela União Europeia.
Mesmo com essas críticas, o acordo é visto como estratégico para fortalecer o comércio global e ampliar a competitividade das economias envolvidas. Entre seus principais pontos, está a redução de tarifas de importação, a diminuição de barreiras comerciais e a criação de condições mais previsíveis para investimentos bilaterais. Países do Mercosul como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai esperam ampliar o acesso a mercados de alto valor agregado e diversificar suas exportações.
Para a UE, o tratado também apresenta ganhos relevantes, como maior inserção comercial em uma região com grande potencial energético, agrícola e industrial. Além disso, o acordo contribui para reduzir a dependência europeia de mercados concentrados e consolidar um espaço mais integrado de cooperação econômica.
Apesar da aprovação provisória, o processo ainda exige etapas formais dentro da governança europeia. O tratado precisa passar pela análise do Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais, além de incluir mecanismos de proteção a setores considerados sensíveis. Está em discussão, por exemplo, um sistema que permitirá suspender preferências tarifárias caso o impacto sobre agricultores europeus seja considerado excessivo.
O debate entre livre comércio e proteção agrícola segue como um dos principais obstáculos à conclusão definitiva do acordo, mas representantes europeus afirmam que há interesse político e econômico em avançar, desde que as salvaguardas sejam devidamente garantidas.
Fonte: Metropoles