Macron anuncia voto contrário ao acordo UE-Mercosul, mas pode sofrer derrota diplomática caso a maioria qualificada dos países apoie o tratado.
A França confirmou que votará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul durante uma decisão considerada crucial em Bruxelas. O anúncio foi feito pelo presidente Emmanuel Macron, que classificou o tratado como insuficiente para proteger setores estratégicos franceses, especialmente o agrícola. A postura francesa, porém, pode resultar em uma derrota diplomática caso a maioria qualificada dos Estados-membros decida aprovar o texto.
Segundo Macron, o acordo UE-Mercosul “é de outra era” e foi negociado sobre bases “ultrapassadas” ao longo de mais de duas décadas. Para o presidente francês, os ganhos econômicos estimados não compensariam o risco de exposição do setor agrícola europeu à concorrência dos países sul-americanos, principalmente no que diz respeito às exportações do Brasil e da Argentina. O argumento tem sido reforçado por movimentos internos ligados aos agricultores franceses, historicamente contrários a liberalizações comerciais no setor.
O tratado havia sido concluído em 2024 pela Comissão Europeia após quase 25 anos de negociações com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O objetivo principal é abrir uma área de livre comércio com cerca de 700 milhões de pessoas, criando uma das maiores zonas de intercâmbio do planeta.
Apesar da oposição persistente de Paris, Alemanha e Espanha lideram o grupo de países favoráveis à ratificação, indicando urgência em ampliar mercados de exportação e reduzir dependências geoeconômicas. A discussão ganhou força após a Comissão Europeia fazer novas concessões, incluindo salvaguardas para acompanhar possíveis impactos no mercado e mecanismos de compensação antecipada para produtores agrícolas.
Nos bastidores, a tentativa francesa de articular uma minoria de bloqueio contou com apoio de Polônia, Hungria, Irlanda e, potencialmente, Áustria. O voto da Itália tornou-se determinante no último momento. Caso Roma se alinhe aos apoiadores, será a primeira vez que a França sofre um revés no Conselho da UE, cenário que amplia a pressão política sobre Macron em um momento de crise doméstica.
Redação
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