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Boa Vista - RR, 10 de maio de 2026 as 06:07

Agenda política prioriza disputa por recursos, avalia analista

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Captura de verbas, enfraquecimento do Executivo e judicialização ampliam estresse institucional

A agenda política brasileira está cada vez mais concentrada na captura de recursos, em detrimento de reformas estruturais e do fortalecimento institucional. A avaliação é do cientista político Creomar de Souza, CEO da consultoria de análise de risco político Dharma, que aponta um cenário de estresse crescente entre os Poderes da República, com impactos diretos sobre a governança e o ambiente econômico do país.

Durante participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, o analista afirmou que o Brasil vive um momento de enfraquecimento da Presidência da República, ao mesmo tempo em que o Legislativo opera sob forte lógica corporativista e o Judiciário contribui para um ambiente de instabilidade jurídica. Para Creomar, essa combinação cria um ciclo de tensão institucional que se repete ao longo dos últimos anos.

Segundo o cientista político, a priorização da disputa por orçamento e emendas parlamentares desloca o foco do debate público de temas estratégicos, como crescimento econômico, produtividade e reformas administrativas. “Há uma agenda política voltada muito mais à apropriação de recursos do que à construção de soluções estruturais para o país”, avaliou.

Judicialização da política se intensifica

Creomar também destacou a judicialização da política como um fenômeno recorrente desde a década de 1990, mas que se intensificou nos últimos anos. De acordo com ele, decisões derrotadas no Congresso frequentemente são levadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que altera o equilíbrio entre os Poderes.

“Quem perde no plenário atravessa a Praça dos Três Poderes, bate na porta do STF e tenta reverter o resultado. Quando é o Executivo, muitas vezes obtém sucesso; quando é a oposição, gera constrangimento institucional”, explicou.

Para o analista, esse comportamento acabou produzindo um efeito colateral relevante: a politização da Justiça. O Judiciário, segundo ele, não apenas passou a aceitar essas demandas, como também passou a atuar de forma estratégica em julgamentos de grande impacto político e social, reforçando a percepção de instabilidade normativa.

Reflexos na economia e nos investimentos

O CEO da Dharma alerta que esse ambiente de incerteza jurídica e política afeta diretamente a confiança de empresários e investidores. “Isso é muito ruim para a construção de negócios e para o crescimento econômico ao final do dia”, afirmou.

Embora ressalte que o cenário não representa um colapso institucional, Creomar destaca que o acúmulo de tensões compromete o planejamento de longo prazo e aumenta o custo de fazer negócios no Brasil. Para ele, a superação desse quadro passa por ajustes no sistema político e por maior previsibilidade nas relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Redação

Referência: www.cnnbrasil.com.br