Confronto transmitido pela Netflix gerou enorme retorno financeiro, mas decepcionou fãs e especialistas pela falta de competitividade no ringue
O aguardado duelo entre Anthony Joshua e Jake Paul entrou para a história mais pelo impacto econômico e midiático do que pela qualidade esportiva apresentada. Tamanha era a estranheza em torno do confronto que a luta acabou sendo transmitida pela Netflix, sob a desconfiança de parte do público de que o boxe profissional estaria flertando com o entretenimento coreografado. Apesar disso, o combate foi oficialmente sancionado e válido no circuito profissional.
Dentro do ringue, no entanto, o espetáculo prometido não se concretizou. A luta se desenrolou de forma previsível, lenta e amplamente unilateral. Joshua dominou a ação, mas sem brilho, enquanto Paul adotou uma postura claramente defensiva, focada mais em sobreviver do que em competir de fato. O roteiro visto pelos fãs dificilmente agradaria até mesmo aos críticos mais generosos, sendo comparado por analistas a uma produção sem emoção ou ritmo.
A ironia maior é que, mesmo diante de tantas críticas, o confronto rendeu a Anthony Joshua um dos maiores ganhos de sua carreira e, possivelmente, a maior audiência televisiva que já protagonizou. Financeiramente, o evento foi um sucesso absoluto. Esportivamente, deixou a desejar.
O momento que melhor resumiu o sentimento do público aconteceu no quarto round, quando o árbitro Christopher Young interrompeu a ação para cobrar mais empenho dos lutadores. Dirigindo-se a Jake Paul, foi direto: “Os fãs não pagaram para ver isso”. A frase repercutiu instantaneamente e foi endossada pelo comentarista Mauro Ranallo, que classificou o comentário como “a chamada da noite”.
Durante toda a semana de promoção, Joshua afirmou que estava “carregando o boxe nas costas”. Na prática, venceu, mas sem convencer. Paul, que havia prometido protagonizar a maior zebra da história do esporte, passou a maior parte do combate circulando pelo ringue, evitando trocas francas e tentando fazer o tempo passar. Seus poucos contatos lembraram mais manobras defensivas do que golpes efetivos.
Após a luta, Joshua foi sincero ao avaliar sua atuação. “É uma vitória, mas não é um sucesso. Tenho muito a melhorar. Não estou feliz”, declarou. Mesmo com um prêmio estimado em cerca de £210 milhões, o confronto deixou claro que nem todo grande evento financeiro se traduz em relevância esportiva.
Para o boxe, especialmente para os fãs que acompanharam a luta até altas horas da madrugada, o duelo entre Joshua e Paul ficará marcado mais como um espetáculo econômico do que como um grande momento da nobre arte.
Redação
Referencia: https://www.bbc.com/news