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Boa Vista - RR, 25 de junho de 2026 as 14:53

Ucrânia admite eleições se aliados garantirem segurança

Reuters

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Zelensky afirma que o país pode votar mesmo sob lei marcial, desde que EUA e Europa assegurem condições de segurança para todo o eleitorado

A discussão sobre a realização de eleições na Ucrânia voltou ao centro do debate internacional após o presidente Volodymyr Zelensky declarar que o país está disposto a organizar um novo pleito  desde que aliados ocidentais garantam a segurança necessária. A afirmação surge em meio a críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu que Kiev estaria “usando a guerra” para adiar indefinidamente o processo eleitoral.

O mandato de Zelensky terminaria em maio de 2024, mas, com a invasão russa e a instituição da lei marcial, qualquer eleição nacional foi automaticamente suspensa. O presidente ucraniano reforçou que o tema deve ser tratado com responsabilidade e que cabe ao povo da Ucrânia decidir o momento apropriado para votar, não a governos estrangeiros. Ele também rejeitou a narrativa de que estaria tentando manter-se no poder artificialmente, classificando essa ideia como “irracional”.

As pressões externas, no entanto, se intensificam. Moscou já declarou diversas vezes que considera Zelensky “ilegítimo” e tem exigido eleições como condição para um possível cessar-fogo  exigência que Trump ecoou durante entrevista ao Politico. Para o líder americano, adiar a eleição comprometeria a credibilidade democrática de Kiev.

Apesar das cobranças, os obstáculos práticos são profundos. Milhares de soldados que atuam na linha de frente teriam enorme dificuldade para votar. Além disso, segundo a ONU, cerca de 5,7 milhões de ucranianos vivem atualmente fora do país, o que exigiria um sistema seguro, auditável e internacionalmente monitorado para coleta de votos. A realização de campanhas e debates públicos também seria quase inviável em meio a bombardeios, ataques de drones e ameaças constantes à infraestrutura crítica.

Líderes da oposição ucraniana expressam opiniões divergentes. Lesia Vasylenko, do partido Golos, afirma que “eleições nunca são possíveis em tempos de guerra”, lembrando que até o Reino Unido suspendeu votações durante a Segunda Guerra Mundial. Já Oleksiy Goncharenko, do Solidariedade Europeia, considera a proposta de Zelensky impraticável e teme que ela resulte em um processo eleitoral desigual, dado que a mídia e as instituições estariam operando sob forte controle governamental.

Ainda assim, pesquisas mostram uma pequena mudança no sentimento popular. Um estudo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev indicou que a rejeição a eleições durante a guerra caiu de 78% em março para 63% em setembro. Mesmo assim, a maioria dos ucranianos ainda acredita que um pleito só deveria ocorrer após um acordo de paz completo.

Especialistas alertam para riscos estratégicos. O deputado Oleksandr Merezhko, presidente do comitê de política externa do parlamento ucraniano, afirmou que eleições sob bombardeios seriam exatamente “o que Putin deseja”, já que o processo poderia dividir o país internamente. Uma eleição açodada, argumenta ele, seria facilmente manipulada pela propaganda russa.

Enquanto isso, Trump pressiona por um acordo de paz que envolva concessão territorial à Rússia  proposta rejeitada por Kiev. O Kremlin, por sua vez, celebrou as declarações do líder americano, afirmando que elas “estão alinhadas à visão de Moscou”.

Zelensky disse que, caso os EUA e aliados europeus possam garantir a segurança das seções eleitorais, uma votação poderia ser realizada dentro de 60 a 90 dias. Porém, até o momento, não há sinal concreto de que tais condições serão apresentadas.

Fonte: BBC

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