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Boa Vista - RR, 18 de maio de 2026 as 21:27

Suspeito afirma ter sido orientado a mentir sobre morte de gari

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Caso Gari Laudemir: réu afirma ter sido orientado a alegar “bala perdida” e nega disparo intencional

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, preso pelo homicídio do gari Laudemir Fernandes, de 44, ocorrido em maio no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte, afirmou em entrevista que foi orientado por sua defesa a sustentar a versão de que a vítima teria sido atingida por uma “bala perdida”. O caso ganhou novo desdobramento após declarações concedidas a Roberto Cabrini.

Segundo Renê, a tese de acidente teria sido uma recomendação do então advogado. Ao ser questionado sobre a carta manuscrita em que atribuiu o ocorrido a um “acidente com a vítima”, o réu confirmou:
“Porque foi o que o advogado falou.” A carta também havia sido enviada quando ele voltou atrás da decisão de trocar de defensor pela terceira vez desde a prisão.

Investigação contesta versão

A narrativa apresentada pelo réu diverge das conclusões da Polícia Civil e do Ministério Público, que sustentam que o disparo foi proposital. Conforme as instituições, Renê teria descido armado do veículo, ameaçado a equipe de coleta e efetuado o tiro de curta distância — e não de forma acidental.

A acusação é respaldada por:

  • laudos periciais, indicando distância e trajetória do projétil;

  • vídeos que registram a abordagem;

  • depoimento da motorista do caminhão, que afirmou ter visto o réu apontar a arma e proferir ameaças.

A fuga de Renê após o crime e o fato de ele ter ido para uma academia logo em seguida também são citados pelo Ministério Público como indícios de dolo.

Declarações em audiência

Durante audiência realizada na quarta-feira (26) no 1º Tribunal do Júri Sumariante, Renê declarou que não confessou o disparo e que só teria admitido o crime à polícia porque teria sido ameaçado por investigadores. A afirmativa, no entanto, não foi acompanhada de detalhes.

Ele também alegou que não mentiu ao afirmar que não comentaria sobre estar armado:
“Falei que não ia comentar nada.”

Outro ponto levantado por Renê foi o suposto erro na identificação do veículo:
segundo ele, “a placa do meu carro não foi filmada” e haveria “vários carros com final 7 em Minas”. A defesa também mencionou que a primeira prisão teria sido ilegal.

Impactos pessoais e caso da esposa

Renê ainda comentou a situação da esposa, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, afastada do cargo de delegada e ré por prevaricação após a prisão do marido. Em suas palavras:
“Eu acabei com a minha carreira e com a dela e com uma vida, que é o mais importante.”

Redação/itatiaia.com.br