Presidente interina anuncia entrada de fundos de acordo com os EUA; valor será usado para estabilizar economia e proteger renda dos trabalhadores.
A Venezuela anunciou ter recebido US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,6 bilhão) como resultado da venda de petróleo pelos Estados Unidos, em um movimento que marca os primeiros repasses financeiros após mudanças recentes na política do país sul-americano. A informação foi divulgada nesta terça-feira (20/1) pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, em pronunciamento oficial.
Segundo Rodríguez, os recursos fazem parte de um acordo em que a Venezuela se comprometeu a fornecer até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, que assumiram a comercialização do combustível no mercado global. A presidente interina afirmou que do total previsto, US$ 300 milhões já entraram nos cofres venezuelanos e serão aplicados em medidas para proteger a renda dos trabalhadores, enfrentar a inflação e amortecer impactos causados pelas oscilações do mercado cambial no país.
A operação de venda começou por volta de 15 de janeiro, de acordo com relatos oficiais, e faz parte de um acordo mais amplo firmado entre Washington e Caracas após a captura do então presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no início deste mês. A política energética e econômica venezuelana vive uma reconfiguração desde então, com a administração norte-americana controlando as exportações de petróleo e negociando sua venda internacionalmente.
Parte dos fundos recebidos foi depositada em contas no exterior incluindo no Catar e, conforme o governo venezuelano, será repassada a bancos nacionais para que possam vender dólares no mercado interno, aliviando a escassez de moeda estrangeira que tem pressionado o mercado cambial e contribuído para a volatilidade do bolívar.
Especialistas em economia apontam que a entrada desses recursos pode ajudar a estabilizar os índices financeiros do país, que enfrenta desafios históricos de inflação elevada e falta de reservas internacionais. Ainda assim, observadores ressaltam que a situação econômica da Venezuela continuará delicada enquanto medidas estruturais forem postergadas ou dependerem exclusivamente de rendimentos petrolíferos.
O contexto político também permanece tenso, com a comunidade internacional acompanhando de perto as decisões de Caracas e Washington nos próximos passos da transição governamental e na gestão dos vastos recursos energéticos da Venezuela.
Referência: Metropoles