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Boa Vista - RR, 9 de maio de 2026 as 05:50

Vaticano não participa no Conselho de Paz de Donald Trump

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O Vaticano anunciou que não participará no Conselho de Paz criado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destinado inicialmente a supervisionar um plano para a Faixa de Gaza.

A posição foi confirmada pelo secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, após uma reunião com o Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, e a primeira-ministra Giorgia Meloni.

“O Vaticano não participará no Conselho de Paz devido à sua natureza particular, que obviamente não é a dos outros Estados”, explicou Parolin aos jornalistas.

Críticas ao formato e ao papel da ONU

Segundo o cardeal, há “pontos que deixam um pouco perplexos” na estrutura do novo organismo, sublinhando que, em crises internacionais, o papel central deve caber à Organização das Nações Unidas (ONU).

O Conselho de Paz, presidido de forma vitalícia por Trump, foi inicialmente apresentado como peça-chave para supervisionar o plano para Gaza. No entanto, o tratado fundador ampliou o seu mandato, propondo-se atuar na resolução de conflitos armados em todo o mundo e apresentando-se como uma alternativa às Nações Unidas.

Um dos aspetos mais controversos é a exigência de pagamento de mil milhões de dólares para que países se tornem membros permanentes, o que gerou críticas de que o organismo poderia funcionar como uma versão “paga” do Conselho de Segurança da ONU.

Itália participa como observadora

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, justificou a decisão de Itália de participar, na qualidade de observadora, na reunião inaugural do órgão, em Washington.

Segundo Tajani, a presença italiana num fórum onde se discutem paz, segurança e estabilidade no Mediterrâneo é coerente com o artigo 11.º da Constituição italiana, que consagra a recusa da guerra como meio de resolução de litígios.

Embora vários países da União Europeia, como França, Espanha e Suécia, tenham recusado o convite, Hungria e Bulgária aderiram como membros permanentes. Portugal, também convidado, indicou que considera o organismo “enquadrável” apenas se este se limitar ao conflito israelo-palestiniano.

A decisão do Vaticano reforça a posição tradicional da Santa Sé de privilegiar o multilateralismo e o papel da ONU na mediação de conflitos internacionais.