A introdução da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, marca um avanço histórico no enfrentamento de uma das principais arboviroses que afetam o Brasil. Desenvolvida pelo Instituto Butantan e com previsão de incorporação ao Sistema Único de Saúde a partir de 2026, a vacina tem produção nacional e promete ampliar o acesso da população à imunização contra a doença.
Especialistas, no entanto, alertam que a vacinação, isoladamente, não é capaz de conter o avanço da dengue. O consenso entre pesquisadores e profissionais da Saúde é de que a imunização deve integrar um conjunto de ações contínuas de controle do mosquito Aedes aegypti. Entre essas medidas estão a educação da população, o combate a criadouros, o uso de tecnologias como as Estações Disseminadoras de Larvicidas, o método Wolbachia e a borrifação residual em domicílios, além da atuação permanente dos agentes de saúde.
“A vacinação é mais uma aliada contra a dengue, mas não substitui as ações de controle vetorial. É fundamental manter a vigilância, a participação da comunidade e o trabalho de campo”, explica a professora Carla Pintas, doutora em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília.
A preocupação dos especialistas se justifica pelos números recentes da doença. De acordo com artigo publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, a epidemia registrada em 2024 foi a pior da história do país. Dados do Ministério da Saúde apontam que, naquele ano, foram contabilizados 6.321 óbitos e cerca de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue. Em 2023, o país havia registrado 1.179 mortes e aproximadamente 1,65 milhão de casos.
O levantamento também revela uma escalada preocupante ao longo das décadas. Entre janeiro de 2020 e junho de 2024, o Brasil somou 6.445 mortes por dengue, número muito superior ao observado entre 2010 e 2014 (2.859 óbitos) e entre 2000 e 2004 (1.512 óbitos). Os dados evidenciam que fatores como mudanças climáticas, urbanização desordenada e falhas no controle do vetor contribuíram para o agravamento do cenário.
Nesse contexto, a Butantan-DV surge como um importante reforço à política pública de saúde, mas especialistas reforçam que o sucesso no combate à dengue dependerá da integração entre vacinação, prevenção ambiental e engajamento social.
Redação
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