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Boa Vista - RR, 3 de fevereiro de 2026 as 22:58

Vacina em gestantes protege bebês da bronquiolite

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Imunização a partir da 28ª semana cria anticorpos na mãe que são transferidos ao bebê, reduzindo infecções graves causadas pelo vírus sincicial respiratório.

A chegada da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) ao Sistema Único de Saúde (SUS) marca um avanço significativo na prevenção da bronquiolite, doença respiratória que afeta principalmente bebês e crianças pequenas. O imunizante, agora disponível para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, tem como objetivo reduzir drasticamente o risco de infecções graves nos primeiros meses de vida  período em que o organismo da criança ainda é extremamente vulnerável.

O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite em recém-nascidos e responde também por aproximadamente 40% das ocorrências de pneumonia em crianças menores de dois anos. Somente em 2025, o Ministério da Saúde registrou mais de 43 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao vírus, reforçando a urgência de estratégias eficazes de prevenção.

A vacina funciona com base na chamada imunização passiva. Nesse processo, a gestante recebe o imunizante e, em resposta, seu organismo produz anticorpos específicos contra o VSR. Esses anticorpos atravessam a placenta e chegam ao bebê por meio do cordão umbilical, proporcionando proteção temporária, porém altamente eficiente, logo ao nascimento. Diferentemente das vacinas tradicionais aplicadas diretamente na criança, esta abordagem garante defesa imediata justamente na fase em que o risco de hospitalização é maior.

A aplicação do imunizante integra agora o Calendário Nacional de Vacinação da Gestante e deve ser realizada a partir da 28ª semana  período em que o corpo da mãe naturalmente intensifica a transferência de anticorpos para o feto. A meta do Ministério da Saúde é vacinar 80% do público-alvo e ampliar a compra de doses nos próximos anos, com projeção de adquirir mais de 4,2 milhões até 2027.

A eficácia da estratégia foi validada por estudos clínicos robustos. Entre eles, destaca-se o estudo Matisse, que demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de quadros graves causados pelo VSR nos primeiros 90 dias de vida. Isso significa uma redução expressiva no risco de hospitalizações, internações em UTIs e complicações decorrentes da bronquiolite.

A incorporação da vacina ao SUS também representa um marco de equidade em saúde pública, ao permitir que mulheres de todas as regiões tenham acesso gratuito a uma proteção que antes estava restrita ao setor privado. O Ministério da Saúde reforça que a vacinação contra o VSR pode ser administrada simultaneamente a outras vacinas indicadas para gestantes, como gripe e covid-19, facilitando a atualização da caderneta.

Com a distribuição das doses às Unidades Básicas de Saúde (UBS), equipes de saúde são orientadas a intensificar a busca ativa por gestantes e promover ações informativas sobre a importância dessa proteção para a primeira infância.

Fonte: Agência Gov/MS