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Boa Vista - RR, 9 de maio de 2026 as 10:15

STF dá 30 dias sobre impasse entre indígenas em Roraima

Foto: Bruno Carneiro/STF

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STF dá 30 dias sobre impasse entre indígenas e ribeirinhos em Roraima

O Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu prazo final de 30 dias para que a União conclua medidas relacionadas ao impasse entre indígenas e ribeirinhos em Roraima, envolvendo a terra indígena Waimiri-Atroari, localizada na região do Baixo Rio Branco.

A decisão foi proferida nesta sexta-feira (13) pelo ministro Flávio Dino, relator da Ação Cível Originária (ACO) 1165.


Relatório da terra indígena deve ser finalizado

O ministro determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) concluam o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da terra indígena Waimiri-Atroari.

Além disso, os órgãos federais deverão avançar nas providências relativas ao acordo de uso compartilhado da área em disputa.

O caso envolve um impasse entre indígenas e ribeirinhos em Roraima sobre a utilização e circulação em trechos dos rios Jauaperi e Macucuaú.


Entenda o conflito judicial

A ação foi movida pelo Estado de Roraima contra a Funai e representantes do povo indígena. O governo estadual argumenta que barreiras flutuantes instaladas pela comunidade indígena estariam fora dos limites da área oficialmente demarcada.

Segundo o Estado, essas estruturas estariam restringindo o trânsito de pessoas e mercadorias, afetando principalmente comunidades ribeirinhas que vivem na região sul de Roraima.

O processo tramita no STF justamente por envolver conflito federativo e questões constitucionais relacionadas a terras indígenas.


Suspensão anterior e tentativa de conciliação

Em agosto do ano passado, foi realizada audiência de conciliação entre as partes. Após o encontro, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão do andamento da ação até que fossem concluídos:

  • O RCID da terra indígena

  • O acordo de uso compartilhado da área

A decisão se baseou no Decreto nº 9.401/2018, que regulamenta procedimentos administrativos relacionados à identificação e delimitação de terras indígenas.

O ministro destacou que o acordo deverá garantir, obrigatoriamente:

  • Livre trânsito de servidores públicos federais e estaduais

  • Prestação de serviços essenciais

  • Acesso à área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável


Último prazo fixado pelo STF

Ao conceder o novo prazo, Flávio Dino afirmou que não houve consenso entre os órgãos federais sobre o tempo necessário para concluir os compromissos assumidos.

Enquanto não há solução definitiva para o impasse entre indígenas e ribeirinhos em Roraima, permanecem as restrições físicas ao trânsito na região.

Segundo o relator, a demora na definição do acordo impacta diretamente:

  • A navegação nos rios

  • A circulação de moradores

  • A prestação de serviços públicos essenciais

Por isso, o prazo de 30 dias foi classificado como definitivo.


O que está em jogo

O caso envolve questões sensíveis como:

  • Direito territorial indígena

  • Livre circulação de comunidades tradicionais

  • Competência da União na demarcação de terras

  • Garantia de serviços públicos em áreas remotas

A decisão do STF pode influenciar futuras disputas territoriais envolvendo terras indígenas e populações ribeirinhas na Amazônia.

Leia a íntegra da decisão

Saiba mais: 02/05/2008 – Roraima pede que índios Waimiri-Atroari liberem rios ao Sul do estado

Fonte: STF