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Boa Vista - RR, 8 de novembro de 2026 as 12:09

Santiago Peña é destituído e fica em prisão domiciliar no Paraguai

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Ex-presidente foi afastado pelo Senado após crise envolvendo o Ueno Bank; Pedro Alliana assumiu a Presidência do país.

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi destituído do cargo pelo Senado nesta sexta-feira (6) e colocado em prisão domiciliar poucas horas depois, por determinação do Ministério Público. A crise política foi desencadeada pelo colapso do Ueno Bank, instituição financeira que mantinha vínculos empresariais anteriores com o então chefe de Estado.

A decisão de afastamento foi aprovada pelo Senado paraguaio, que registrou 44 votos favoráveis à destituição. Apesar de Peña ter apresentado uma carta de renúncia na quinta-feira (5), o Congresso deu continuidade ao processo de impeachment e rejeitou, na prática, a saída antecipada pretendida pelo então presidente.

Após a votação, o Ministério Público determinou a detenção do ex-mandatário. Policiais e representantes da Promotoria foram até a residência de Peña, em Assunção, onde a ordem foi cumprida. Ele deverá permanecer em prisão domiciliar até ser colocado à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.

Segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color, a medida está relacionada à apuração de possíveis irregularidades envolvendo a crise financeira do banco. Entre as suspeitas investigadas estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. As acusações ainda dependem da análise das provas e da definição jurídica pelo Ministério Público.

Crise do Ueno Bank provocou queda do governo

A crise ganhou força após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção e a resolução do Ueno Bank, instituição digital que atendia milhões de clientes no país. A medida provocou dificuldades de acesso a recursos depositados e ampliou a pressão sobre as autoridades econômicas e políticas.

O caso também levantou questionamentos sobre a relação entre o banco e integrantes do governo. Peña havia mantido participação societária em empresas ligadas ao grupo financeiro, vínculo que passou a ser alvo de questionamentos durante a crise.

As acusações apresentadas no processo de impeachment apontaram possíveis conflitos de interesse e falhas na supervisão regulatória. Também foram levantadas suspeitas relacionadas à movimentação de recursos de fundos previdenciários e à atuação de autoridades públicas no caso.

O colapso financeiro provocou protestos e aumentou a pressão política sobre o governo. A crise atingiu diretamente a confiança de clientes e investidores, além de provocar instabilidade institucional no Paraguai.

Carta de despedida de Santiago Peña

Pouco antes da conclusão do processo de impeachment, Santiago Peña publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais. Na manifestação, justificou a decisão de renunciar como uma tentativa de evitar o agravamento da crise e contribuir para a estabilidade do país.

O ex-presidente afirmou que não desejava que sua permanência no cargo provocasse mais divisões entre os paraguaios.

“Não quero que a minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal. Hoje nos unimos como paraguaios para reconstruir a institucionalidade e recuperar a confiança”, afirmou.

Peña não compareceu pessoalmente à sessão do Senado que analisou o processo de impeachment. A defesa foi conduzida por seus advogados, que apresentaram os argumentos em nome do então presidente.

Em outra parte da mensagem, ele reconheceu a preocupação da população diante da crise e defendeu a união nacional.

“Me despeço com gratidão, sem desconhecer a angústia de quem hoje espera respostas. É o momento de unir esforços para reconstruir a institucionalidade e atender, com feitos e responsabilidades, a quem está afetado”, declarou.

Pedro Alliana assume a Presidência do Paraguai

Com a destituição de Santiago Peña, a sucessão presidencial foi definida rapidamente. O então vice-presidente, Pedro Alliana, tomou posse como novo chefe do Poder Executivo paraguaio e deverá concluir o mandato iniciado em 2023, com previsão de encerramento em 2028.

Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez nasceu em 19 de fevereiro de 1974, na cidade de Pilar, departamento de Ñeembucú. Integrante do Partido Colorado, construiu sua trajetória política como uma das lideranças da legenda e ocupou posições de destaque na política paraguaia.

Alliana assume o governo em meio a um cenário de forte instabilidade política e econômica. Entre os principais desafios estão a recuperação da confiança nas instituições, a condução das medidas relacionadas à crise bancária e o esclarecimento das suspeitas investigadas pelas autoridades.

Enquanto isso, Santiago Peña permanece sob detenção domiciliar e deverá prestar esclarecimentos ao Ministério Público. A investigação continuará para apurar eventuais responsabilidades criminais no caso Ueno Bank.

Fonte: Jovem Pan