Embarcação acusada de violar sanções é acompanhada no Atlântico Norte, enquanto forças russas e americanas elevam a tensão marítima
A Rússia enviou um submarino e outras embarcações da sua marinha para escoltar um petroleiro acusado pelos Estados Unidos de violar sanções internacionais, numa ação que eleva a tensão no Atlântico Norte. O navio, atualmente a navegar entre a Islândia e as Ilhas Britânicas, estaria a ser monitorado de perto por forças norte-americanas, incluindo aeronaves militares e unidades da Guarda Costeira.

Segundo autoridades dos Estados Unidos citadas pela imprensa internacional, o petroleiro transportou anteriormente petróleo venezuelano e é suspeito de envolvimento no transporte de petróleo iraniano, alvo de sanções impostas por Washington. A embarcação, que se chamava Bella 1, passou a usar o nome Marinera e teria alterado o seu registo para a bandeira russa durante a viagem, uma prática considerada incomum, mas não inédita no chamado “mercado cinzento” de transporte de petróleo.
Dados de plataformas de rastreamento aéreo e marítimo indicam uma presença militar significativa na região. Aeronaves norte-americanas de reconhecimento, reabastecimento e transporte foram identificadas a sobrevoar o Atlântico Norte, enquanto imagens analisadas por especialistas mostram navios compatíveis com cortadores da Guarda Costeira dos EUA nas proximidades da rota do petroleiro.
A Guarda Costeira americana já havia tentado abordar a embarcação no mês anterior, no Caribe, com um mandado para apreensão por violação de sanções. No entanto, o navio alterou bruscamente o seu curso e seguiu em direção à Europa. Autoridades norte-americanas afirmaram que preferem apreender o petroleiro, e não afundá-lo, caso uma operação seja autorizada.
O governo russo reagiu afirmando que acompanha a situação “com preocupação” e acusou os Estados Unidos e a OTAN de darem uma atenção “desproporcional” a uma embarcação que, segundo Moscovo, navega legalmente em águas internacionais e sob a bandeira russa. Analistas apontam que a mudança de bandeira pode dificultar a aplicação das sanções, já que o direito internacional oferece maior proteção a navios oficialmente registados por um Estado.
O episódio ocorre num contexto de maior rigor dos Estados Unidos contra o transporte marítimo associado à Venezuela e ao Irão. Desde a recente apreensão de outro petroleiro sancionado, várias embarcações teriam alterado o seu registo para a Rússia, numa tentativa de escapar à fiscalização americana. O caso do Marinera ilustra como a disputa por sanções, soberania marítima e influência geopolítica tem se intensificado nos oceanos.
Redação
Referência: https://www.bbc.com/