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Boa Vista - RR, 27 de junho de 2026 as 07:59

Roraimense leva ‘Política com Farinha’ à maior feira da América

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De fotógrafa a referência em comunicação política, Vitória Barreto representa estado no principal encontro do setor na América Latina

Quando começou fotografando aniversários e casamentos, Vitória Barreto ainda dava os primeiros passos na carreira. Anos depois, a fundadora do perfil ‘Política com Farinha’ foi convidada para palestrar no Compol Brasil, considerado o maior evento de comunicação política da América Latina. Hoje, a publicitária roraimense atua com consultoria em comunicação política, produção audiovisual e palestras em diferentes estados do país e acredita que ocupar espaços também fortalece a representatividade LGBTQIAPN+ no mercado.

O convite para integrar a programação do evento, realizado em Florianópolis (SC), representa um dos momentos mais importantes da carreira. Reunindo profissionais de diferentes estados, o Compol Brasil é considerado a principal conferência do segmento na América Latina. Para Vitória, subir ao palco do encontro também simboliza o reconhecimento do trabalho desenvolvido por uma profissional que saiu de Roraima para conquistar espaço em um mercado competitivo.

“Esse é um reconhecimento muito importante para uma mulher lésbica roraimense que se dedica muito a entregar o melhor para os clientes”, afirmou.

O reconhecimento, no entanto, começou a ser construído anos antes, quando a fotografia abriu as primeiras portas para o empreendedorismo.

Aos 32 anos, Vitória conta que sempre buscou independência financeira e a oportunidade de desenvolver os próprios talentos. Formada em Publicidade, enxergou na profissão diferentes possibilidades de atuação e decidiu investir no próprio negócio.

“A conexão com o empreendedorismo surgiu em busca da liberdade financeira combinada com a vontade de exercer alguns talentos desde muito jovem”, contou.

Segundo ela, empreender foi um passo natural.

“A publicidade é um leque de oportunidades que permite vender serviços para diferentes públicos. Empreender era praticamente o caminho necessário”, disse.

Da fotografia à comunicação política

Os primeiros clientes chegaram por meio da fotografia. Vitória registrava ensaios fotográficos, aniversários e casamentos enquanto reunia recursos para investir em equipamentos e ampliar o próprio trabalho.

No início, os maiores desafios estavam justamente na estrutura necessária para atuar na área.

“O principal desafio era o investimento em equipamentos. Não é novidade para ninguém o alto custo dos equipamentos e a falta de valorização dos profissionais”, relembrou.

Depois de alguns anos, ela decidiu direcionar a empresa para a comunicação política, área em que encontrou novas oportunidades de crescimento profissional.

Foi dessa mudança que nasceu a ‘Política com Farinha’, empresa especializada em consultoria em comunicação política, produção audiovisual institucional e palestras. Hoje, o trabalho atende clientes em diferentes estados brasileiros.

“O diferencial é a entrega de conteúdo inteligente com agilidade”, resumiu.

Apesar de nunca ter sofrido ataques verbais relacionados à orientação sexual no ambiente profissional, Vitória afirma que o preconceito ainda se manifesta de outras formas.

“Como empreendedora não sofri preconceito direto e verbal devido à minha sexualidade. Olhares tortos, sim”.

Representatividade também se constrói pelo trabalho

Além da atuação na comunicação política, Vitória também produziu um curta-metragem e um documentário realizados em Roraima voltados à comunidade LGBTQIAPN+. Para ela, os projetos ajudaram a fortalecer a representatividade em um estado onde o conservadorismo ainda influencia a realidade de muitas pessoas.

Entre as conquistas de que mais se orgulha está justamente o fato de não ter desistido diante das dificuldades encontradas no início da carreira.

“Sem papo de coach, a resiliência e a persistência nos levam a lugares inimagináveis. Me orgulho da minha carreira e de, sendo assumidamente lésbica, ter produzido um curta-metragem e um documentário roraimense que representam a comunidade LGBT+ e ajudam a fortalecer essa causa em um estado tão conservador”, destacou.

Para Vitória, dar visibilidade às histórias de empreendedores LGBTQIAPN+ durante o Dia do Orgulho também ajuda a romper preconceitos e mostrar que competência profissional não depende da orientação sexual.

“Uma das maiores certezas que tenho sobre a sociedade é que as pessoas LGBT+ precisam se dedicar o dobro, estudar o dobro e ralar o dobro para conquistar espaço de destaque. Diminuir um profissional pela sexualidade mostra a pequeneza de humanidade de quem o faz. Pessoas são pessoas e pronto”, concluiu.

Por Sebrae RR