Manifestações contra o regime se espalham por dezenas de cidades, com mortes, prisões e bloqueio da internet sob alerta global.
Manifestantes iranianos desafiaram, no sábado (10/1), a violenta repressão do governo, levando às ruas uma onda de protestos que já completa vários dias e vem sendo marcada por confrontos, mortes e prisões em massa. Os atos surgiram inicialmente em resposta à escalada da inflação, mas rapidamente se ampliaram em alcance e significado político, alcançando mais de uma centena de cidades e vilarejos em todas as províncias do país. Agora, além de reivindicações econômicas, parte da população exige o fim do governo clerical liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Relatos de testemunhas e vídeos verificados por agências internacionais sugerem que o governo intensificou a repressão. Autoridades classificaram manifestantes como “inimigos de Deus”, crime que pode resultar em pena de morte segundo o sistema penal iraniano. De acordo com grupos de direitos humanos baseados no exterior, mais de 100 pessoas teriam sido mortas, número que inclui agentes de segurança, enquanto hospitais relatam superlotação e dificuldades para atender feridos.
A BBC Persian verificou ao menos 70 corpos enviados a um hospital na cidade de Rasht e recebeu relatos de que cerca de 38 pessoas teriam morrido em Teerã. Paralelamente, o Ministério da Justiça confirmou a prisão de figuras consideradas “chave” para a mobilização dos protestos, enquanto a polícia acusa parte dos manifestantes de serem “treinados” para provocar mortes, sem apresentar provas.
No cenário internacional, os protestos reacenderam tensões. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os EUA responderiam “com força” caso o Irã ampliasse a violência contra civis. Em contrapartida, parlamentares iranianos ameaçaram retaliar bases militares norte-americanas e alvos israelenses caso o país fosse atacado.
O acesso à internet, já restringido em episódios anteriores, foi severamente bloqueado desde quinta-feira. Especialistas afirmam que esta é a interrupção mais rígida desde os protestos de 2022, dificultando a obtenção e verificação de informações. Alguns moradores tentam usar conexões via satélite, embora pesquisadores alertem para o risco de rastreamento e retaliação pelo governo.
Analistas avaliam que o desfecho permanece incerto, mas que a persistência das manifestações reflete desgaste econômico, desgaste político e insatisfação acumulada entre diferentes setores sociais.
Fonte: BBC