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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 10:31

Protestos no Irã deixam mais de 500 mortos e tensão global

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ONGs apontam mais de 500 mortos e milhares de detidos na maior onda de protestos iranianos em 15 anos, enquanto governo endurece repressão.

A onda de protestos no Irã já deixou mais de 500 mortos e mais de 10 mil detidos, segundo a Iran Human Rights, organização que monitora violações de direitos humanos no país a partir da Noruega. Os números, que podem ser ainda maiores, refletem o agravamento da repressão governamental contra manifestações que ganharam força nas últimas duas semanas em dezenas de cidades iranianas.

As manifestações tiveram início motivadas por queixas econômicas e pela crescente deterioração do padrão de vida, mas rapidamente ganharam caráter político ao direcionar críticas ao regime teocrático liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. Em meio ao caos, o acesso à internet foi drasticamente bloqueado, dificultando a divulgação de informações e o rastreamento de vítimas.

O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que pretende enfrentar as demandas econômicas da população, mas descartou recuar da forte repressão. Pelo contrário, convocou uma “marcha de resistência nacional” para denunciar o que o governo classificou como ações de “criminosos e terroristas urbanos”. O comandante da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, disse que o “nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, enquanto a mídia estatal tenta atribuir o caos a interferências externas, principalmente dos Estados Unidos e de Israel.

A crise tem provocado reações internacionais. Washington advertiu que poderia reagir militarmente caso a repressão resulte em massacres, enquanto Tel Aviv elevou seu nível de alerta. O governo iraniano respondeu com ameaças contra bases americanas e israelenses no Oriente Médio, ampliando o temor de uma escalada militar regional.

Internamente, hospitais relataram incursões de forças de segurança para deter feridos, segundo organizações de direitos humanos. Há registros de manifestantes atingidos por munição real, gás lacrimogêneo e armas brancas sendo removidos das unidades de saúde sem tratamento adequado.

O Vaticano também manifestou preocupação. O Papa Leão XIV pediu diálogo e lamentou as vítimas da ofensiva. “Sem distensão, muitas vidas ainda serão ceifadas”, afirmou.

A combinação entre crise econômica, cerco informacional e repressão indica que o país enfrenta sua maior convulsão social em mais de 15 anos, com imprevisíveis repercussões políticas e geopolíticas.

Redação

Referência: https://jovempan.com.br/