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Boa Vista - RR, 14 de outubro de 2026 as 04:43

Proteção da biodiversidade mundial exige US$ 1,3 trilhão por ano

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Déficit global de financiamento para proteger a natureza quase dobrou em seis anos, segundo relatório internacional

A proteção da biodiversidade mundial exigirá US$ 1,317 trilhão adicionais por ano, além dos recursos atualmente destinados à conservação da natureza. O dado consta do relatório Financing Nature 2026, elaborado pelas organizações The Nature Conservancy (TNC), World Wildlife Fund (WWF) e Paulson Institute.

O estudo acompanha desde 2020 a evolução dos investimentos destinados à conservação ambiental e compara os valores aplicados com a necessidade estimada de recursos para conter a perda de espécies e ecossistemas.

Segundo o levantamento, o déficit de financiamento para a biodiversidade mundial passou de US$ 711 bilhões para US$ 1,317 trilhão anuais em seis anos. O crescimento evidencia a distância entre os recursos atualmente disponíveis e o volume considerado necessário para enfrentar a crise ambiental.

Déficit de financiamento quase dobrou

O relatório aponta que os investimentos na conservação da natureza não acompanharam o ritmo das necessidades globais. Para os pesquisadores, ampliar os recursos destinados à proteção de ecossistemas é fundamental diante dos impactos provocados pela perda de biodiversidade e pelas mudanças climáticas.

Carter Roberts, presidente da WWF nos Estados Unidos, afirma que já existem mecanismos capazes de contribuir para o financiamento da conservação.

Entre os exemplos citados estão o mercado de carbono e os chamados Acordos de Financiamento de Projetos para Permanência (PFP, na sigla em inglês), que podem apoiar a criação e a manutenção de áreas destinadas à conservação.

Para Roberts, o desafio está em ampliar essas iniciativas e aplicá-las em escala compatível com a dimensão da crise ambiental.

Recursos para proteger e para destruir

Outro ponto destacado pelo estudo é a existência de políticas e subsídios que podem estimular atividades consideradas prejudiciais à natureza.

De acordo com o relatório, para cada US$ 1 destinado à proteção da natureza, cerca de US$ 30 são direcionados a atividades ou incentivos que podem contribuir para sua degradação.

Henry M. Paulson Jr., presidente do Paulson Institute, defende a revisão desses mecanismos. Na avaliação apresentada no relatório, a reforma de subsídios prejudiciais poderia liberar recursos para investimentos em conservação.

A proposta envolve mudanças nos incentivos econômicos adotados pelos governos, de forma que políticas públicas e investimentos privados sejam direcionados para atividades compatíveis com a conservação dos recursos naturais.

Relatório propõe mudanças no financiamento

A partir da análise dos investimentos realizados desde 2020, os pesquisadores apresentam um conjunto de medidas para ampliar o financiamento da conservação.

Entre as principais recomendações estão:

  • reformar subsídios considerados prejudiciais à natureza;
  • ampliar iniciativas de financiamento que já apresentam resultados;
  • aumentar concessões de crédito e investimentos voltados à conservação;
  • reconhecer a natureza como um ativo fundamental para a economia;
  • criar condições de mercado que favoreçam investimentos ambientais;
  • ampliar a participação de instituições financeiras no financiamento da conservação.

O estudo também recomenda maior atuação dos governos e órgãos reguladores na criação de políticas capazes de estimular investimentos destinados à proteção da biodiversidade.

Bancos podem ajudar a mobilizar recursos

Os pesquisadores defendem ainda uma participação mais ampla dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento e das Instituições Financeiras de Desenvolvimento.

Essas instituições podem utilizar seus instrumentos financeiros e sua capacidade de mobilização de capital para atrair investimentos para projetos relacionados à conservação da natureza.

A proposta é aumentar a participação do setor financeiro em iniciativas que conciliem desenvolvimento econômico, proteção ambiental e redução dos riscos relacionados à perda da biodiversidade.

Biodiversidade e clima precisam ser tratados em conjunto

Outro ponto apresentado pelo Financing Nature 2026 é a necessidade de integrar as agendas climática e de biodiversidade.

Para os responsáveis pelo relatório, as duas crises estão relacionadas e devem ser consideradas conjuntamente nas estratégias de governos, empresas e investidores.

A proteção de florestas, rios, áreas costeiras e outros ecossistemas pode contribuir tanto para a conservação de espécies quanto para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas.

Jennifer Morris, CEO da The Nature Conservancy, afirma que o conhecimento acumulado nos últimos anos oferece uma base para ampliar as iniciativas de conservação.

O relatório, portanto, aponta que o desafio não está apenas em criar novas formas de financiamento, mas também em ampliar mecanismos já existentes e redirecionar recursos atualmente associados a atividades prejudiciais à natureza.

A estimativa de US$ 1,317 trilhão adicionais por ano dimensiona a distância entre o financiamento atual e os recursos considerados necessários para enfrentar a crise global da biodiversidade.

Com informações da Agência Brasil.