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Boa Vista - RR, 22 de outubro de 2026 as 04:01

Polícia prende casal suspeito de sequestro e extorsão em Boa Vista

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Investigação aponta que duas vítimas foram mantidas em cativeiro, agredidas e submetidas a cobranças de R$ 9 mil para serem libertadas.

A Polícia Civil de Roraima (PCRR) prendeu preventivamente, na manhã de segunda-feira (19), um casal venezuelano suspeito de sequestrar, torturar e extorquir duas pessoas em Boa Vista. As prisões foram realizadas no bairro Alvorada, zona oeste da capital, após uma investigação de quase três meses conduzida pelo 4º Distrito Policial (4º DP).

Segundo a polícia, os crimes tiveram início em 25 de julho, após um desentendimento relacionado ao desaparecimento de objetos de um lava-jato. Durante as investigações, foram reunidos depoimentos, comprovantes de transferências via Pix, informações sobre veículos e registros audiovisuais que teriam sido produzidos durante o período em que as vítimas permaneceram em cativeiro.

O delegado titular do 4º DP, Jonathan Freese, coordenou a apuração e representou pela prisão preventiva dos suspeitos. Os mandados foram expedidos pela Justiça e cumpridos na segunda-feira.

Vítimas teriam sido levadas à força e agredidas

Conforme a investigação, um venezuelano de 20 anos teria sido levado à força até um lava-jato na tarde de 25 de julho. No local, ele teria sido amarrado e agredido em razão de um desentendimento relacionado ao suposto desaparecimento de objetos do estabelecimento.

Ainda naquela noite, um homem de 25 anos, acompanhado da companheira, de 29, teria ido à residência dos pais da namorada da primeira vítima, uma brasileira de 19 anos. Segundo a apuração, celulares foram recolhidos para impedir que os familiares acionassem a polícia, e a jovem teria sido retirada à força da casa e agredida diante dos parentes.

Em seguida, o casal de vítimas teria sido levado para um imóvel no bairro Asa Branca, onde permaneceu trancado e amarrado, sob ameaças e agressões físicas.

De acordo com a Polícia Civil, o homem investigado admitiu ter mantido as vítimas no imóvel e desferido golpes com uma tábua de madeira na região das nádegas de ambas. Ele também teria confirmado a gravação de um vídeo no qual as vítimas eram obrigadas a falar sobre o suposto furto e a assumir o compromisso de ressarcir os prejuízos alegados.

Familiares teriam sido pressionados a pagar R$ 9 mil

Enquanto as duas pessoas estavam em cativeiro, os familiares teriam recebido exigências financeiras para conseguir a libertação delas.

Segundo a investigação, foram cobrados R$ 4 mil para libertar a jovem e outros R$ 5 mil para liberar o companheiro, totalizando R$ 9 mil. Para conseguir o dinheiro, os familiares precisaram buscar recursos e chegaram a empenhar uma motocicleta.

A apuração aponta ainda que a mulher investigada teria participado diretamente das negociações para a libertação da jovem, fornecendo uma chave Pix vinculada à própria empresa para o recebimento de valores. Os comprovantes das transferências foram analisados pelos investigadores.

Após os pagamentos, a jovem foi deixada na Praça Germano Sampaio, no bairro Pintolândia, por volta das 2h da madrugada de 26 de julho. O companheiro foi libertado posteriormente, por volta das 4h30.

Conforme os relatos reunidos pela polícia, a jovem apresentava inchaço no rosto e hematomas decorrentes das agressões.

Polícia investiga possível participação de outras pessoas

A investigação também identificou indícios de possível participação de terceiros na dinâmica dos crimes. As diligências continuam para esclarecer a atuação individual dos envolvidos e verificar as circunstâncias da participação de outras pessoas.

“Uma suspeita de crime deve ser apurada pelas autoridades e não autoriza ninguém a sequestrar, agredir ou exigir dinheiro para libertar pessoas. Nosso trabalho foi reconstituir a dinâmica dos fatos, reunir provas e identificar a participação dos envolvidos”, afirmou o delegado Jonathan Freese.

Após a prisão, o casal foi conduzido à sede do 4º Distrito Policial, onde foram formalizados os cumprimentos dos mandados preventivos. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos seriam apresentados à Justiça nesta terça-feira (20), em audiência de custódia.

O caso segue sob investigação. Os suspeitos são investigados pelos fatos descritos e a responsabilidade criminal deverá ser definida pelas autoridades competentes.

 

Fonte: SECOM RORAIMA