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Boa Vista - RR, 12 de fevereiro de 2026 as 19:16

PF solicita a Fachin suspeição de Toffoli no caso Banco Master

© ASCOM/STF

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Pedido foi feito após a Polícia Federal encontrar menção ao ministro em mensagem no celular do banqueiro Daniel Vorcaro

A Polícia Federal (PF) solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a declaração de suspeição do ministro Dias Toffoli para continuar como relator do inquérito que apura fraudes no Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central. O pedido foi encaminhado na última segunda-feira (9), após a PF identificar uma menção ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do banco e um dos principais investigados no caso.

O aparelho de Vorcaro foi apreendido durante uma operação de busca e apreensão no âmbito das investigações conduzidas pela PF. Segundo informações repassadas ao STF, a referência ao ministro consta em uma mensagem cujo conteúdo permanece sob segredo de Justiça. Diante da comunicação oficial, Edson Fachin determinou a abertura de um procedimento interno e ordenou a notificação de Dias Toffoli para que apresente sua manifestação sobre o caso.

A decisão final sobre a permanência ou não de Toffoli como relator do inquérito caberá ao presidente do Supremo Tribunal Federal. O episódio ocorre em meio a críticas recentes dirigidas ao ministro, que passaram a ganhar força no mês anterior após reportagens apontarem possíveis irregularidades envolvendo um fundo de investimento ligado ao Banco Master. Esse fundo teria adquirido participação em um resort localizado no Paraná, empreendimento que pertencia a familiares de Toffoli.

Em resposta às informações divulgadas, o gabinete do ministro Dias Toffoli divulgou nota afirmando que a Polícia Federal não possui legitimidade jurídica para solicitar a declaração de suspeição de um magistrado, por não ser parte no processo. O comunicado também classificou o pedido como baseado em ilações.

“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145 do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”, afirmou a nota.

As investigações envolvendo o Banco Master ganharam destaque nacional após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. A ação da Polícia Federal apura a concessão de créditos considerados fraudulentos pela instituição financeira, além de uma tentativa de compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB), instituição pública vinculada ao Governo do Distrito Federal.

De acordo com a PF, o volume das fraudes investigadas pode alcançar até R$ 17 bilhões. As apurações seguem em andamento, com desdobramentos que envolvem o sistema financeiro nacional e a atuação de agentes públicos e privados.

Referência: Agência Brasil