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Boa Vista - RR, 24 de março de 2026 as 05:09

Pecuária pode cortar 92% das emissões até 2050

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Pecuária brasileira avança rumo à descarbonização e pode reduzir até 92% das emissões, aponta FGV

Um novo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), divulgado durante a COP30 em Belém (PA), reforça a tese de que a pecuária brasileira  maior exportadora de carne bovina do mundo  pode se tornar peça central na transição climática global. A pesquisa, realizada em parceria com a ABIEC, projeta que o setor pode reduzir quase 80% das emissões de CO₂ até 2050 apenas mantendo o ritmo atual de ganho de produtividade e de expansão ordenada das pastagens.

Mas o número pode ser ainda mais expressivo: a redução pode chegar a 92,6% se houver avanço em políticas públicas, adesão massiva ao Plano ABC+ e implementação de técnicas regenerativas e de baixo carbono.

Produtividade como motor da redução

O estudo chama atenção para um dado pouco discutido no debate público: desde 1990, a pecuária brasileira aumentou 183% sua produtividade enquanto reduziu em 18% a área de pastagens, o que significa produzir mais ocupando menos espaço.

Se esse ritmo continuar, a emissão por quilo de carne cairá de 80 kg de CO₂ para 16 kg  uma queda de quase 80%.

Os quatro cenários analisados

A FGV projetou quatro cenários de descarbonização possíveis para o setor:

  1. Tendência atual

    • Continuidade dos ganhos de produtividade

    • Redução de 79,9% nas emissões

  2. Desmatamento zero até 2030

    • Cumprimento da meta federal

    • Redução de 86,3%

  3. Adoção plena do Plano ABC+

    • Recuperação de pastagens degradadas

    • Expansão de sistemas integrados (lavoura-pecuária-floresta)

    • Redução de 91,6%

  4. Solução completa de baixo carbono

    • Todos os itens acima

    • Aditivos alimentares, abate precoce e ganho de eficiência

    • Redução de 92,6%

Políticas públicas: o ponto de virada

Apesar do protagonismo crescente do setor, o estudo aponta que atingir a projeção mais favorável depende diretamente de políticas públicas robustas e coordenadas.

Entre as prioridades citadas estão:

  • combate efetivo ao desmatamento ilegal;

  • rastreabilidade total do rebanho (PNIB e AgroBrasil+Sustentável);

  • ampliação de certificações estaduais como Selo Verde e programas de integridade;

  • linhas de financiamento para acelerar práticas sustentáveis e sistemas integrados.

Sem esse “binômio”: regulação firme + incentivo econômico, o potencial não se converte em resultado.

O que está em jogo

A pecuária aparece como um setor-chave para que o Brasil cumpra suas metas no Acordo de Paris. Se conseguir ampliar a produção e, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente as emissões líquidas  como mostram as projeções o país pode se posicionar como líder global em proteína de baixo carbono.

Para Camila Estevam, pesquisadora do FGV Agro, o estudo revela “um setor que pode crescer, descarbonizar e ainda apoiar as metas climáticas nacionais”. Roberto Perosa, da ABIEC, reforça o alerta: “O potencial é enorme, mas a responsabilidade também”.

Fonte: Metropolis