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Boa Vista - RR, 26 de junho de 2026 as 23:08

Operação recorde apreende milhares de armadilhas ilegais de lagosta no Ceará

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Em uma ação sem precedentes, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e outras instituições, realizou a maior apreensão de armadilhas para captura de lagostas da história do Brasil. A operação ocorreu no litoral do Ceará, na praia de Aranaú, município de Acaraú, onde milhares de armadilhas conhecidas como marambaias estavam armazenadas em uma área de 15 mil metros quadrados. A estimativa é que a ação impeça a captura ilegal de cerca de 300 toneladas de lagosta apenas em 2025.

As marambaias, fabricadas com materiais como tambores metálicos, geladeiras descartadas, pneus velhos e forros de câmaras frias enferrujados, causam danos graves ao meio ambiente. Além de promoverem a captura indiscriminada de exemplares abaixo do tamanho permitido, comprometendo a reprodução da espécie, os materiais descartados no mar liberam substâncias tóxicas, como solventes e óleos lubrificantes. Essa poluição não só reduz a biodiversidade marinha, mas também representa risco para recifes de coral e outros ecossistemas sensíveis, podendo afetar toda a cadeia alimentar.

As investigações apontaram que os infratores utilizavam uma oficina rudimentar para modificar os tambores metálicos antes de armazená-los. Caminhões eram carregados diariamente para transportar as marambaias aos barcos de pesca, que as lançariam ao mar assim que encerrado o período de defeso – que termina em 30 de abril. Durante o defeso, a captura de lagostas é proibida para preservar o período reprodutivo da espécie. Além disso, a pesca com compressores de ar, também utilizada pelos infratores, apresenta graves riscos à saúde dos mergulhadores, podendo causar invalidez ou até morte por doença descompressiva.

Operação coordenada e resultados

A ação, coordenada pelo Ibama, contou com o suporte de diversas instituições, incluindo a Polícia Militar do Ceará, o Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil, a Receita Federal e a siderúrgica ArcelorMittal. A Abin desempenhou papel essencial na articulação interinstitucional, integrando os esforços das entidades envolvidas.

De acordo com o superintendente do Ibama no Ceará, Deodato José Ramalho Júnior, a operação não apenas protege os estoques pesqueiros, mas também assegura a qualidade da lagosta exportada pelo estado, que ocupa posição de destaque no mercado internacional. Já o chefe da Divisão de Fiscalização do Ibama, José da Luz Alencar, destacou que novas ações serão realizadas para atingir outros pontos de armazenamento de marambaias ao longo do litoral.

Cerca de 75 toneladas de marambaias apreendidas foram transportadas para a unidade da ArcelorMittal no Porto Pecém, onde o material foi inutilizado e destinado de forma adequada. A siderúrgica também contribuiu no transporte, reforçando o compromisso com a sustentabilidade ambiental.

Essa operação marca um importante passo no combate à pesca ilegal e à exploração predatória dos recursos marinhos, demonstrando que a integração entre órgãos governamentais e instituições privadas é essencial para a preservação ambiental e a promoção da sustentabilidade no setor pesqueiro.

 

Fonte: IBAMA