Segunda fase da Operação Unha e Carne apura repasse de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho e envolve Judiciário e Alerj.
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (16/12) a segunda fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas envolvendo a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A nova etapa resultou na prisão preventiva do desembargador Macário Ramos Judice Neto e no cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a investigação, o desembargador, que atuava como relator de processos no TRF-2, teria vazado informações sigilosas relacionadas a operações policiais em andamento, com possível impacto direto em investigações contra integrantes do Comando Vermelho.
Segundo a PF, mensagens encontradas no celular de Bacellar apreendido na primeira fase da operação indicam que Judice Neto teria repassado detalhes da Operação Zargun, que culminou na prisão do ex-deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias. Ainda conforme os investigadores, Bacellar também teria alertado o parlamentar sobre a ação policial e orientado a destruição de provas antes do cumprimento dos mandados.
As apurações apontam que TH Joias utilizava sua influência política na Alerj para favorecer atividades criminosas da facção, incluindo a facilitação da compra e venda de drogas, fuzis e armas com tecnologia antidrones, destinadas ao Complexo do Alemão. O caso revelou um possível esquema de cooptação de agentes públicos para proteger interesses do crime organizado.
Mesmo após ter sido solto por decisão do plenário da Alerj e passar a responder em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica, Bacellar voltou a ser alvo das investigações nesta nova fase, o que reforça a suspeita de continuidade das irregularidades.
A atuação de Macário Ramos Judice Neto também chama atenção pelo histórico controverso. Em 2005, ele foi afastado da magistratura pelo TRF-2, após denúncias do Ministério Público Federal sobre suposta participação em esquema de venda de sentenças no Espírito Santo. Após 17 anos afastado, retornou à carreira e foi promovido a desembargador em 2023 — cargo que ocupava até a prisão atual, cumprida na sede da PF no Rio.
A operação é conduzida de forma integrada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público do Rio de Janeiro e Polícia Civil, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ). As investigações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.
Fonte: Metropoles