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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 14:45

Operação Estocolmo prende investigado por sequestro e estupro

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Polícia Civil localizou homem no Amazonas suspeito de manter enteada sob domínio por três anos após retirá-la do convívio familiar

A Polícia Civil de Roraima (PCRR) deflagrou, neste sábado (24), a Operação Estocolmo, que resultou na prisão temporária de um homem de 49 anos investigado pelos crimes de sequestro, cárcere privado e estupro de vulnerável. A ação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), com apoio do Núcleo de Inteligência (NI), e ocorreu no município de Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.

De acordo com as investigações, a vítima, então enteada do suspeito, foi retirada do convívio familiar em julho de 2022, quando tinha apenas 13 anos de idade. Sem autorização da mãe ou de qualquer responsável legal, a adolescente passou a viver sob o domínio do investigado, permanecendo incomunicável e desaparecida por cerca de três anos.

Segundo o delegado titular da DPCA, Matheus Rezende, o caso começou a ser apurado inicialmente como desaparecimento. Com o avanço das diligências, foi instaurado inquérito policial em 2023 para apurar os crimes de sequestro, cárcere privado e estupro de vulnerável. Mesmo sem contato com a vítima durante longo período, as investigações nunca foram interrompidas.

“Trata-se de um caso extremamente sensível. A adolescente foi retirada do ambiente familiar e submetida a total controle, sem que a família tivesse qualquer informação sobre seu paradeiro”, destacou o delegado.

No final de 2025, a vítima conseguiu restabelecer contato pontual com familiares e informou que estaria residindo no interior do Amazonas. A partir desse dado, as equipes intensificaram o trabalho investigativo e, por meio de diligências técnicas e ações de inteligência, conseguiram localizar o investigado e a adolescente.

Durante a apuração, foi constatado que a linha telefônica utilizada pela vítima estava registrada em nome do próprio suspeito, reforçando os indícios de controle emocional e vigilância. Diante do risco de fuga e da possibilidade de interferência psicológica na vítima, a Polícia Civil representou pela prisão temporária, que foi deferida pela Justiça.

Durante a operação, a adolescente foi retirada do local e recebeu acompanhamento de uma conselheira tutelar, sendo encaminhada a Boa Vista para os procedimentos de proteção, acolhimento e atendimento especializado. As investigações apontaram que ela vivia em situação de extrema vulnerabilidade, sem documentos civis, fora da escola desde 2022 e submetida a isolamento social.

O nome Operação Estocolmo faz referência ao quadro de dependência emocional e psicológica identificado ao longo das investigações. O suspeito permanece à disposição da Justiça e deverá passar por audiência de custódia, enquanto a Polícia Civil segue adotando todas as medidas necessárias para garantir a proteção integral da vítima.

Fonte: SECOM RORAIMA