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Boa Vista - RR, 24 de junho de 2026 as 18:53

ONU alerta: fome em Gaza foi contida, mas risco persiste

WHO WHO, UNICEF

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Agências da ONU afirmam que avanços contra a fome na Faixa de Gaza são frágeis e podem ser revertidos sem apoio humanitário ampliado e contínuo

As agências das Nações Unidas receberam com cautela a confirmação de que a fome foi temporariamente reprimida na Faixa de Gaza, segundo a mais recente análise da Classificação Integrada de Fase de Segurança Alimentar (IPC). O relatório aponta que, após o cessar-fogo iniciado em outubro e a melhora no acesso humanitário e comercial, nenhuma área do território está atualmente classificada como em situação de fome extrema. No entanto, o alerta é claro: os avanços são extremamente frágeis e podem ser rapidamente revertidos sem apoio internacional sustentado.

Em comunicado conjunto, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o UNICEF, o Programa Mundial de Alimentos (PMA/WFP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO) destacaram que fome, desnutrição, doenças e a destruição da produção agrícola continuam em níveis alarmantes. Atualmente, cerca de 1,6 milhão de pessoas  77% da população  ainda enfrentam insegurança alimentar aguda na Faixa de Gaza.

O relatório indica que mais de 100 mil crianças e 37 mil gestantes e mulheres que amamentam correm risco de desnutrição aguda até abril de 2026. Quatro governadorias permanecem classificadas em Estado de Emergência (Fase 4 do IPC), o que revela graves lacunas no consumo de alimentos, altos índices de desnutrição e risco elevado de mortalidade, apesar da melhora em relação à classificação anterior de fome.

Embora o cessar-fogo tenha permitido o aumento do fluxo de alimentos e suprimentos básicos, a maioria das famílias segue enfrentando grandes dificuldades. Mais de 730 mil pessoas continuam deslocadas, vivendo em abrigos improvisados, com acesso limitado a água potável, saneamento, serviços de saúde e meios de subsistência. A destruição de terras agrícolas, da pesca, da pecuária e da infraestrutura básica dificulta qualquer recuperação sustentável.

As agências alertam que os mercados voltaram a ter alimentos disponíveis, mas a população vulnerável não tem renda suficiente para comprá-los. Alimentos nutritivos seguem caros e escassos, e nenhuma criança atinge a diversidade alimentar mínima recomendada. O cenário é agravado por superlotação, saneamento precário e doenças infecciosas, especialmente entre crianças.

Segundo a ONU, apenas uma expansão ampla, contínua e financiada da assistência em alimentação, saúde, água, saneamento, agricultura e recuperação de meios de subsistência poderá impedir que a fome volte a se agravar na Faixa de Gaza. Sem isso, os ganhos recentes podem desaparecer rapidamente.

Redação

Referencia : https://www.who.int/