Petrobras confirma vazamento durante perfuração; entidades questionam impactos e cobram suspensão da exploração de petróleo
Organizações indígenas e ambientalistas manifestaram preocupação após um vazamento de fluido durante operação de perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas. O incidente ocorreu no domingo (4), a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, e levou à paralisação das atividades. A estatal confirmou o vazamento e afirmou que notificou os órgãos competentes.
Em nota, a Petrobras garantiu que o fluido segue padrões legais de toxicidade, é biodegradável e não representa riscos ao meio ambiente ou às pessoas. A estatal informou que houve perda da substância em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço Morpho, no bloco FZA-M-059, e destacou que não há problemas estruturais na sonda ou no poço.
O Instituto Internacional Arayara, no entanto, avaliou que o episódio expõe riscos estruturais da exploração petrolífera na região. A entidade classificou a Foz do Amazonas como uma das áreas ambientalmente mais sensíveis do planeta, com alta biodiversidade e dependência socioeconômica de comunidades costeiras. O instituto também alertou para incertezas sobre dinâmicas de correntes profundas e possíveis impactos transfronteiriços.
Organizações indígenas reforçaram a crítica. Em nota conjunta, a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) e o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) afirmaram que o incidente confirma “piores temores” sobre o projeto. Para as entidades, a exploração ameaça ecossistemas marinhos dos quais dependem para subsistência cultural e alimentar, e configura uma “tragédia anunciada”. Elas também apontaram descumprimento da Consulta Prévia, Livre e Informada prevista na Convenção 169 da OIT.
A exploração na Foz do Amazonas está judicializada. Após o Ibama conceder, em outubro de 2025, licença para perfuração exploratória no bloco FZA-M-59, oito entidades ingressaram com ação na Justiça Federal pedindo nulidade do licenciamento e suspensão das atividades, alegando falhas ambientais, impactos ignorados e violações de direitos de comunidades indígenas, extrativistas e quilombolas. No início de dezembro, o Ministério Público Federal apresentou ação própria, sustentando falhas nos estudos ambientais e ausência de plano de compensação pesqueira.
O Ibama afirma que a licença foi concedida após rigorosa análise técnica. Já a Petrobras sustenta cumprir todas as exigências e defende a necessidade de novas fronteiras petrolíferas como meio de garantir recursos para a transição energética. A AGU informou que dará prioridade ao caso.
Redação
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