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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 20:51

Oito mortos em ataques dos EUA a barcos suspeitos de tráfico no Pacífico

Comando Sul dos EUA

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Ações no Pacífico fazem parte da ofensiva antidrogas dos EUA e levantam questionamentos jurídicos sobre o uso da força militar fora de zonas formais de conflito.

O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de oito pessoas após ataques realizados contra três embarcações apontadas como envolvidas com o tráfico internacional de drogas no Oceano Pacífico. Segundo informações divulgadas pelo Comando Sul dos Estados Unidos, os alvos estariam navegando por rotas tradicionalmente utilizadas por organizações criminosas para o transporte de entorpecentes.

As imagens das ações foram publicadas em canais oficiais das Forças Armadas norte-americanas e mostram embarcações sendo atingidas em alto-mar. De acordo com o comando militar, os ataques integram uma campanha ampliada de combate ao narcotráfico marítimo, que também alcança o Caribe. Nos últimos meses, mais de 20 barcos teriam sido alvo de operações semelhantes, com ao menos 90 mortes registradas.

A ofensiva ocorre em meio ao endurecimento da política de segurança do presidente Donald Trump, que atribui às gangues e cartéis internacionais a responsabilidade pela entrada de drogas em território norte-americano. A Casa Branca sustenta que as ações são legais e necessárias para proteger a população dos Estados Unidos, afirmando que todas as operações seguem as normas do direito internacional aplicável a conflitos armados.

Apesar disso, especialistas em direito internacional e organizações de monitoramento levantaram sérias preocupações. Analistas ouvidos pela BBC apontam que alguns ataques podem violar princípios básicos do direito humanitário, especialmente quando não há conflito armado declarado. Um episódio ocorrido em 2 de setembro chamou atenção por envolver dois ataques consecutivos contra a mesma embarcação, com relatos de que sobreviventes do primeiro bombardeio teriam sido mortos na segunda investida.

Juristas consultados pela BBC Verify avaliam que esse segundo ataque, atribuído a forças norte-americanas contra um barco supostamente venezuelano, pode ser caracterizado como execução extrajudicial. Um ex-procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional afirmou que, se comprovadas, as ações poderiam ser vistas como parte de uma estratégia sistemática contra civis em tempos de paz.

O governo dos Estados Unidos também intensificou acusações contra a Venezuela, alegando que o país serviria como corredor para o envio de narcóticos. Como parte dessa pressão, forças norte-americanas posicionaram milhares de soldados e o porta-aviões USS Gerald Ford próximo à região. Caracas reage com críticas, e o chanceler venezuelano Yván Gil classificou recentes apreensões de navios como “pirataria internacional”, denunciando motivações geopolíticas por trás das ações.

Fonte: BBC