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Boa Vista - RR, 17 de maio de 2026 as 12:09

Obesidade no Brasil se torna principal fator de risco à saúde, aponta estudo

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Obesidade no Brasil se torna principal fator de risco à saúde, aponta estudo

Pesquisa internacional revela mudança no perfil de saúde da população brasileira nas últimas décadas

A obesidade no Brasil passou a ocupar a primeira posição entre os principais fatores de risco à saúde da população, superando a hipertensão arterial, que liderava o ranking há décadas. O dado faz parte da análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, divulgado na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – Americas.

O levantamento reúne informações de mais de 200 países e conta com a participação de milhares de pesquisadores em todo o mundo. No Brasil, o estudo aponta que mudanças no estilo de vida da população contribuíram diretamente para o avanço da obesidade e de doenças relacionadas.

Entre os fatores destacados estão a urbanização acelerada, redução da atividade física, aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e dietas com excesso de sal e calorias.


Obesidade no Brasil supera hipertensão após décadas

Segundo o estudo, o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado — principal indicador da obesidade — ocupava apenas a sétima posição entre os fatores de risco em 1990. Já em 2023, passou a liderar o ranking nacional.

Além disso, a glicemia elevada, relacionada ao diabetes, subiu para a terceira colocação. A hipertensão arterial ficou em segundo lugar.

O endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explicou que o país vive atualmente em um “ambiente obesogênico”.

“A obesidade não representa apenas excesso de peso. Trata-se de uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente os riscos de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e diversos tipos de câncer”, alertou.


Mudanças no estilo de vida impactaram saúde da população

O estudo mostra que o avanço da obesidade no Brasil ocorreu de forma constante ao longo das últimas décadas. Desde 1990, o risco atribuído ao excesso de peso acumulou crescimento de 15,3%.

Na comparação histórica, os pesquisadores observaram mudanças importantes no perfil dos fatores de risco da população brasileira.

Em 1990, os três principais problemas relacionados à mortalidade e perda de qualidade de vida eram hipertensão arterial, tabagismo e poluição do ar por materiais particulados.

Atualmente, o ranking mudou significativamente devido às transformações no comportamento da sociedade, principalmente nos hábitos alimentares e no sedentarismo.

Segundo especialistas, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, aliado à redução da prática de exercícios físicos, contribuiu diretamente para o aumento dos casos de obesidade e doenças metabólicas.


Estudo também aponta redução do tabagismo e aumento da violência sexual infantil

Apesar do crescimento da obesidade, o levantamento também apresentou indicadores positivos relacionados à saúde pública.

De acordo com os dados, o risco associado ao tabagismo caiu aproximadamente 60% desde 1990. A poluição do ar por materiais particulados apresentou redução ainda maior, de 69,5%.

Entretanto, os pesquisadores observaram um leve aumento de 0,2% nos riscos relacionados ao tabagismo entre 2021 e 2023, interrompendo uma tendência histórica de queda.

Outro dado que chamou atenção foi o crescimento dos impactos da violência sexual na infância. O fator subiu da 25ª posição em 1990 para o 10º lugar em 2023 entre os principais fatores relacionados à perda de qualidade de vida.


Principais fatores de risco à saúde no Brasil em 2023

Segundo o estudo, os maiores fatores de risco à mortalidade ou perda de qualidade de vida atualmente são:

  • Índice de massa corporal elevado;
  • Hipertensão arterial;
  • Glicemia elevada;
  • Tabagismo;
  • Prematuridade ou baixo peso ao nascer;
  • Abuso de álcool;
  • Poluição do ar;
  • Doença renal;
  • Colesterol alto;
  • Violência sexual na infância.

Especialistas alertam que políticas públicas voltadas à alimentação saudável, prática de atividades físicas e prevenção de doenças crônicas serão fundamentais para conter o avanço da obesidade no país.

Fonte: Agência Brasil