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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 19:18

Novo governo venezuelano acena a Washington após queda de Maduro

Jesus Vargas/Getty Images

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Delcy Rodríguez sinaliza cooperação em petróleo, comércio e direitos humanos e abre diálogo com os EUA menos de uma semana após captura de Maduro

Menos de uma semana após a queda de Nicolás Maduro, o novo governo da Venezuela, liderado de maneira interina por Delcy Rodríguez, passou a emitir sinais considerados positivos pelos Estados Unidos. Os gestos envolvem negociações comerciais, flexibilização no setor de petróleo e indicações de revisão de políticas de direitos humanos, num cenário marcado por forte pressão externa, incertezas políticas e vigilância internacional.

A deposição de Maduro ocorreu em 3 de janeiro, após mais de 12 anos no poder. Sua captura foi realizada pelos EUA, sob o argumento de que o presidente chavista chefiava o cartel de drogas “Los Soles”, justificando uma operação militar nas proximidades da América Latina e do Caribe. Maduro foi levado aos Estados Unidos juntamente com sua esposa, Cilia Flores, onde ambos devem ser julgados, embora o Departamento de Justiça norte-americano já tenha recuado em parte das acusações.

Com a mudança de cenário, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que Washington governaria a Venezuela por tempo indeterminado, até que uma transição política pudesse ser implementada. Em discurso público, o republicano afirmou que o interesse direto dos EUA no país estava ligado ao petróleo — setor no qual a Venezuela possui as maiores reservas do mundo.

Poucos dias após assumir interinamente, Delcy Rodríguez abandonou o discurso inicial de confronto e demonstrou abertura à cooperação. Uma das primeiras medidas anunciadas por Trump foi o acordo para que o governo venezuelano entregasse entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, com o lucro administrado pelo próprio presidente norte-americano. A estatal PDVSA confirmou que negocia com Washington, classificando a transação como estritamente comercial.

Além do petróleo, Trump anunciou novas regras comerciais, condicionando a compra de produtos venezuelanos a pagamentos com recursos provenientes do setor energético. Já no campo dos direitos humanos, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de presos políticos para “consolidar a paz”, embora organizações relatem censura, perseguições e detenções de jornalistas no país desde a queda de Maduro.

Analistas internacionais avaliam que os gestos venezuelanos buscam reduzir tensões e evitar um isolamento prolongado, enquanto Washington mira a reorganização do mercado energético e a influência diplomática na região.

Redação

Referência: https://www.metropoles.com/