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Boa Vista - RR, 27 de maio de 2026 as 14:32

Brasil entra no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano pela 1ª vez

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Brasil entra no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano pela 1ª vez

Relatório da ONU aponta avanço histórico do IDHM, mas destaca desigualdades sociais e regionais

O Brasil alcançou pela primeira vez o patamar de muito alto desenvolvimento humano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

De acordo com o relatório, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) brasileiro chegou a 0,805 em 2024, ultrapassando pela primeira vez a faixa de 0,800 estabelecida internacionalmente como nível de muito alto desenvolvimento humano.

O indicador representa avanço importante em comparação a 2012, quando o índice nacional registrava 0,744.

O levantamento considera três dimensões principais: renda, educação e longevidade. A escala varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano.

Apesar do crescimento nacional, o relatório alerta que as desigualdades sociais, raciais e regionais continuam presentes no país.


Muito alto desenvolvimento humano ainda não alcança todos os brasileiros

Embora o Brasil tenha atingido o grupo de países com muito alto desenvolvimento humano, os dados mostram diferenças significativas entre grupos sociais.

Segundo o PNUD, a população branca registrou IDHM de 0,851, mantendo-se na faixa de muito alto desenvolvimento humano.

Já a população negra apresentou índice de 0,774, classificado apenas como alto desenvolvimento humano.

O relatório destaca que essa diferença racial permanece estrutural ao longo de toda a série histórica analisada.

“A primeira está sempre uma faixa abaixo de desenvolvimento humano em relação à segunda”, aponta o estudo ao comparar os indicadores da população negra e branca.

As desigualdades também aparecem no recorte de gênero.

Os homens registraram índice de 0,802, enquanto as mulheres alcançaram 0,798.

Embora a diferença geral seja pequena, o documento ressalta que as disparidades aumentam quando o cálculo considera especificamente a renda do trabalho.


Desenvolvimento humano ajustado pela desigualdade ainda preocupa

Outro ponto destacado pelo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento envolve o desenvolvimento humano ajustado pela desigualdade.

Segundo o estudo, quando fatores relacionados à distribuição desigual de renda, educação e qualidade de vida são considerados, o desempenho brasileiro ainda permanece distante da média nacional apresentada.

Em 2012, o IDHM ajustado pela desigualdade colocava o Brasil na faixa de baixo desenvolvimento humano.

Agora, em 2024, o país avançou para a categoria de médio desenvolvimento humano nesse recorte específico.

Mesmo assim, o relatório reforça que os benefícios do crescimento não atingem a população de forma homogênea.


Distrito Federal lidera ranking nacional

O levantamento mostra ainda que todas as unidades da federação recuperaram e superaram os níveis registrados antes da pandemia da covid-19.

Atualmente, dez estados brasileiros já aparecem classificados na faixa de muito alto desenvolvimento humano.

Outras 17 unidades permanecem no grupo de alto desenvolvimento humano.

O Distrito Federal lidera o ranking nacional, com índice de 0,866.

Na sequência aparecem São Paulo, com 0,838, e Santa Catarina, com 0,833.

Na outra ponta da tabela, o Maranhão apresentou o menor índice do país, com 0,745.

Logo depois aparecem Alagoas, com 0,746, e Acre, com 0,754.


ONU destaca importância das políticas públicas

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o avanço do índice brasileiro reflete políticas públicas implementadas ao longo das últimas décadas nas áreas de saúde, educação e geração de renda.

Apesar disso, o organismo internacional reforça que ainda existem desafios importantes relacionados à desigualdade social e econômica.

O relatório destaca que o crescimento do desenvolvimento humano brasileiro ocorreu de maneira desigual entre regiões e grupos populacionais.

Especialistas apontam que investimentos contínuos em educação, combate à pobreza e ampliação do acesso à saúde serão fundamentais para reduzir essas diferenças nos próximos anos.

Redação