Operação Virago: MPRR denuncia 22 integrantes de facção criminosa por tráfico e organização armada
Investigação aponta atuação de mulheres em cargos estratégicos dentro da organização criminosa
A Operação Virago revelou uma estrutura criminosa altamente organizada em Roraima e resultou na denúncia de 22 pessoas pelo Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR). Entre os denunciados estão 17 mulheres e cinco homens apontados como integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital.
A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira (27) pela Promotoria de Justiça Especializada em Crimes de Tráfico de Drogas e Decorrentes de Organização Criminosa.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontaram a existência de uma estrutura hierarquizada conhecida como “Setor da Feminina”, composta por mulheres que exerciam funções consideradas estratégicas dentro da facção.
De acordo com a denúncia, elas participavam diretamente da coordenação de atividades criminosas, do controle disciplinar de integrantes e até mesmo de decisões relacionadas ao chamado “Tribunal do Crime”, mecanismo clandestino utilizado para impor punições internas.
Operação Virago identificou liderança feminina dentro da facção
Entre os principais nomes citados pelo Ministério Público está B.L.S., conhecida pelo apelido de “Perigosa”.
Segundo as investigações, ela exercia uma função de coordenação relacionada ao acompanhamento de integrantes presos, afastados ou temporariamente fora das atividades operacionais da organização criminosa.
Além disso, a investigada também atuaria como referência para o ingresso de novos membros no grupo.
Conforme o MPRR, ela ainda é investigada pela Delegacia de Homicídios por suposta participação em execuções de ex-integrantes da facção criminosa.
Outro nome apontado na denúncia é V.A.P.S., conhecido como “John Wick”.
De acordo com os investigadores, ele ocupava a função de “Geral da Aviação”, sendo responsável pelo gerenciamento de pontos de venda de drogas e pela expansão territorial da organização em Roraima.
As investigações apontam ainda que ele participava de grupos de comunicação utilizados para coordenar ações criminosas e discutir estratégias para ampliação das atividades ilícitas.
Estrutura disciplinar também foi alvo das investigações
A denúncia do Ministério Público destaca ainda a atuação de integrantes ligadas ao chamado setor disciplinar da facção.
Entre elas está A.P.S.J., conhecida como “Rhyanna”, apontada como responsável pela função denominada “Disciplina da Regional Norte”.
Segundo os investigadores, a função envolvia monitoramento de integrantes, fiscalização do cumprimento das regras internas da organização criminosa e participação em reuniões estratégicas.
As apurações revelaram que a comunicação entre os integrantes ocorria por meio de ferramentas tecnológicas utilizadas para manter o alinhamento das atividades criminosas.
Para o Ministério Público, essa estrutura demonstra elevado grau de organização, permanência e capacidade operacional da facção.
Ministério Público destaca nível de organização do grupo
Segundo o promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto, as investigações identificaram uma divisão clara de funções dentro da organização criminosa.
“As investigações evidenciaram uma estrutura criminosa organizada, com divisão clara de funções e utilização de ferramentas tecnológicas para manter a comunicação e o alinhamento entre os integrantes”, destacou o promotor.
Ainda conforme o representante do Ministério Público, os elementos reunidos ao longo da investigação demonstram a permanência e a estruturação do grupo criminoso.
Denunciados poderão responder por organização criminosa armada e tráfico
O MPRR pede a condenação dos investigados pelos crimes previstos na Lei nº 12.850/2013, que trata das organizações criminosas.
Parte dos denunciados também responderá por tráfico de drogas, conforme o resultado das investigações conduzidas durante a Operação Virago.
A ação é considerada uma das maiores ofensivas recentes contra a atuação do PCC em Roraima e reforça o trabalho conjunto dos órgãos de segurança pública no combate ao crime organizado no estado.
O processo seguirá agora para análise do Poder Judiciário, responsável por avaliar as denúncias apresentadas pelo Ministério Público.