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Boa Vista - RR, 11 de setembro de 2026 as 23:14

Mormaço Cultural 2026 destaca artistas de Roraima

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Vozes femininas da música roraimense marcam abertura do Mormaço Cultural 2026

Espetáculo “Som das Manas” reuniu cantoras e compositoras da cena independente em uma noite de valorização da produção artística de Roraima

Por Marcus Miranda

Vozes, histórias, composições e diferentes trajetórias femininas da música roraimense dividiram o mesmo palco na abertura do Mormaço Cultural 2026. Na noite desta quarta-feira (9), o Teatro Municipal de Boa Vista recebeu a programação inaugural do festival, com destaque para o espetáculo “Som das Manas”, apresentado na Sala Roraimeira.

Criado especialmente para a abertura do festival, o show reuniu cantoras e compositoras da cena independente de Roraima em uma apresentação voltada à valorização da produção autoral feminina. O repertório foi escolhido pelas próprias artistas e ganhou elementos de iluminação e cenografia para criar diferentes momentos ao longo do espetáculo.

Som das Manas valoriza produção autoral feminina

O Coletivo de Compositoras de Roraima Som das Manas foi criado em março de 2026, durante o mês dedicado às mulheres. A iniciativa surgiu com o objetivo de ampliar a visibilidade, a troca de experiências e a colaboração entre mulheres que produzem música autoral no Estado.

Para Ana Lu, uma das representantes do coletivo, apresentar o projeto na abertura de um dos principais festivais culturais de Roraima tornou o momento ainda mais significativo.

“Todas nós temos uma longa trajetória defendendo nossos trabalhos autorais e nossas composições. A gente se unir representa força feminina, resistência, amor e coragem”, afirmou.

Segundo a artista, a apresentação representou a concretização de um projeto que começou como uma ideia e ganhou forma no palco.

“Conseguir tirar esse projeto da ideia, trazer para o palco e fazer acontecer é um sonho realizado. Estou muito feliz e orgulhosa de dividir esse momento com as meninas”, destacou.

Espetáculo foi preparado exclusivamente para o festival

As características individuais de cada compositora também fizeram parte da construção do espetáculo. De acordo com Ana Lu, as artistas selecionaram suas principais músicas e organizaram o repertório pensando nas sensações que seriam transmitidas ao público.

“Preparamos nossas melhores músicas e pensamos toda uma ordem para criar sensações e momentos, com uso de palco e de luz”, explicou.

A proposta foi apresentar diferentes facetas da produção musical roraimense. Além de abordar temas ligados à identidade do Estado, o espetáculo também mostrou a relação das artistas com a música brasileira.

“Queremos trazer as pessoas para o nosso universo roraimense e mostrar que, além de cantar Roraima, cantamos música brasileira, emoção e a nossa verdade”, afirmou Ana Lu.

Para a artista, justamente a diversidade de estilos e trajetórias contribuiu para o resultado final.

“O mais bonito é essa mistura que cada uma traz e que acabou dando certo”, completou.

Festival amplia espaço para artistas de Roraima

A apresentação do Som das Manas também reforçou uma das propostas do Mormaço Cultural: colocar artistas locais em evidência dentro de uma programação que reúne diferentes manifestações culturais.

Para o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), Dyego Monnzaho, iniciar o festival com um espetáculo criado por artistas de Roraima representa uma forma de valorizar a produção cultural do Estado.

“Iniciamos com grandes vozes de cantoras e compositoras de Roraima. Foi um show pensado e criado nesse formato exclusivamente para estrear aqui no festival. Superou nossas expectativas, o público adorou e isso é só o início”, declarou.

Ana Lu também destacou a importância de eventos desse porte para aproximar os artistas locais de novos públicos.

Para ela, o Mormaço Cultural funciona como uma vitrine para a produção de Roraima e possibilita conexões com outras manifestações culturais.

“O Mormaço representa conexão com o que há no mundo em termos de cultura e acessibilidade. Fazer parte disso é uma vitrine e uma oportunidade de amadurecimento para nós”, ressaltou.

A expectativa, segundo a artista, é que mais projetos produzidos em Roraima tenham espaço em grandes eventos culturais.

“Espero que a gente possa sempre ter artistas da terra trazendo seus projetos e inovando também”, afirmou.

Turistas conhecem música roraimense durante o festival

A programação também chamou a atenção de visitantes que estavam conhecendo Boa Vista e incluíram o Mormaço Cultural no roteiro turístico.

Vindos de Minas Gerais, Alcina Andreo, professora aposentada, e Adilson Oliveira, aposentado e músico, estão viajando pelo Brasil. Antes de chegar a Roraima, pesquisaram na internet atrações disponíveis na capital e encontraram a programação do festival.

Apaixonados por música, decidiram assistir ao espetáculo “Som das Manas” para conhecer um pouco mais da produção cultural local.

“A cultura tem esse poder de conectar e de ligar a vida das pessoas. Viemos para cá e encontramos esse evento, que é uma maneira de nos integrarmos à cultura da cidade”, contou Alcina.

Ela também destacou o acesso gratuito à programação.

“Não somos daqui, mas vamos sair conhecendo muito da cultura e das pessoas. E ter um evento dentro de um teatro como esse, gratuitamente, possibilitando o acesso de todos, é muito bacana”, afirmou.

Adilson, que também é músico, disse ter se surpreendido positivamente com a experiência.

“A gente gosta muito de música. Eu também sou músico. Então, procuramos e encontramos esse movimento cultural. Conhecer o teatro também foi uma surpresa muito boa. Estamos muito satisfeitos de estar aqui”, declarou.

Público local também prestigia artistas da terra

Entre os espectadores estava a arquiteta Ana Cláudia, nascida em Boa Vista. Ela acompanhou o espetáculo ao lado de amigas e já conhecia o trabalho desenvolvido pelo Som das Manas.

Para ela, prestigiar artistas locais é uma forma de fortalecer a produção cultural do Estado.

“A gente veio ver o show das Manas, que já acompanhamos em outros lugares e gostamos muito. Prestigiar nossas artistas, mulheres de Roraima, é importantíssimo”, afirmou.

Ela também contou que participa da programação do Mormaço Cultural todos os anos.

“Todo ano a gente vai ao Mormaço e, desta vez, já estamos começando desde o primeiro dia”, disse.

Música abriu programação no Teatro Municipal

A programação musical começou antes mesmo da apresentação do Som das Manas. Na área externa do Teatro Municipal, o cantor Denison Siqueira recebeu o público com sucessos do pop e rock nacional e internacional.

A apresentação contou ainda com participações especiais de Lu Soares e Regina Lima.

O repertório começou com uma versão instrumental de “Sweet Child O’ Mine”, clássico do Guns N’ Roses, e terminou com uma referência à identidade musical roraimense. O encerramento teve uma versão instrumental de “Cruviana”, composição consagrada do repertório local.

A primeira noite do Mormaço Cultural 2026 abriu uma programação que seguirá movimentando o Teatro Municipal nos próximos dias. A agenda inclui atrações musicais e espetáculos de dança, entre eles apresentações da Focus Cia. de Dança.

 

Depois, o Mormaço Cultural segue para o Parque do Rio Branco, onde a programação ocorre nos dias 18, 19 e 20 de setembro.

SEMUC/ RR