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Boa Vista - RR, 9 de maio de 2026 as 05:50

Moratória da soja e do boi divide debate na Comissão de Agricultura

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Moratória da soja e do boi gera debate no Senado

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária promoveu nesta quarta-feira (6) uma audiência pública para discutir os impactos da moratória da soja e do boi sobre produtores rurais e a economia de estados da Amazônia Legal.

Durante o debate, parlamentares, representantes do agronegócio e especialistas criticaram os acordos firmados entre empresas exportadoras e organizações ambientalistas, alegando prejuízos a produtores que atuam dentro da legalidade.


O que é a moratória da soja e do boi

A moratória da soja e do boi consiste em acordos assinados em 2008, nos quais empresas se comprometem a não adquirir produtos oriundos de áreas desmatadas na Amazônia após julho daquele ano.

Segundo os defensores da medida, a iniciativa busca combater o avanço do desmatamento e incentivar práticas sustentáveis.

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Por outro lado, produtores rurais afirmam que os acordos acabam punindo propriedades regularizadas conforme o Código Florestal brasileiro.

Parlamentares criticam acordos privados

O senador Wellington Fagundes, autor do requerimento da audiência, afirmou que produtores que cumprem a legislação continuam submetidos a regras privadas.

Já o senador Izalci Lucas argumentou que a moratória passou a funcionar como uma espécie de regulação paralela ao Código Florestal.

Segundo ele, isso enfraquece o papel do Legislativo e gera insegurança jurídica para o setor produtivo.


Produtores apontam prejuízos econômicos

Representantes do agronegócio apresentaram números relacionados aos impactos econômicos da moratória da soja e do boi.

O gestor jurídico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso, Rodrigo Gomes Bressane, afirmou que mais de 437 mil hectares foram afetados pela medida em Mato Grosso.

Além disso, ele citou:

  • mais de 1,5 milhão de toneladas de soja impactadas
  • cerca de R$ 3,7 bilhões em produção afetada
  • mais de 10 mil empregos comprometidos

Discussão envolve Código Florestal e meio ambiente

Os debatedores defenderam que é necessário diferenciar desmatamento ilegal de áreas abertas dentro dos limites permitidos pelo Código Florestal.

No entanto, representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima discordaram das críticas.

O secretário André Rodolfo de Lima afirmou que compradores privados têm liberdade para estabelecer critérios ambientais além do mínimo previsto em lei.


Tema também está em discussão no STF e Cade

A moratória da soja e do boi também está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

O STF suspendeu ações relacionadas ao tema para tentar uma conciliação entre as partes. Já o Cade investiga possíveis impactos concorrenciais causados pelos acordos privados.

Segundo o superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza, ainda não há conclusão sobre prática de cartel, mas o órgão acompanha possíveis prejuízos à livre concorrência.


Produtores alegam desigualdade regional

Representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Soja afirmaram que a medida cria desigualdade entre produtores de diferentes regiões do país.

Segundo o assessor jurídico Thiago Rocha, produtores da Amazônia Legal acabam enfrentando restrições que não atingem agricultores de outros biomas, mesmo quando todos atuam dentro da legislação ambiental.


Debate segue sem consenso

A audiência demonstrou que o tema continua dividindo opiniões entre representantes do setor produtivo, ambientalistas e órgãos públicos.

Enquanto produtores defendem maior segurança jurídica e respeito ao Código Florestal, ambientalistas e empresas reforçam a importância de mecanismos para reduzir o desmatamento.

Portanto, a discussão sobre a moratória da soja e do boi deve continuar nos próximos meses tanto no Congresso quanto no Judiciário.

Fonte: Agência Senado