Senado do México avaliza aumento de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros e de outros países sem acordo comercial, válido a partir de 1º de janeiro.
O Senado do México aprovou, na quarta-feira (10), o projeto que eleva as tarifas de importação aplicadas a produtos originários do Brasil, da China e de outras nações que não possuem acordos comerciais com o país. A proposta, enviada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum, segue agora para sanção presidencial e deve entrar em vigor já em 1º de janeiro, marcando uma mudança significativa na política comercial mexicana para 2025.
A medida altera 1.463 classificações tarifárias, abrangendo 17 setores estratégicos da economia. Os novos percentuais variam entre 5% e 50%, dependendo do tipo de produto e de seu impacto no mercado interno. O Centro de Estudos das Finanças Públicas do México calculou que esses setores representam cerca de US$ 52 bilhões em importações, o equivalente a 8,6% de todas as compras externas feitas pelo país em 2024. Na avaliação do governo mexicano, o ajuste tarifário tem potencial para proteger aproximadamente 320 mil empregos no território nacional.
A iniciativa surge em um momento de forte pressão política e econômica dos Estados Unidos. A administração norte-americana, liderada por Donald Trump, tem cobrado do México medidas mais eficazes no combate aos cartéis ligados ao tráfico de drogas. Além disso, Washington acusa o país de servir como porta de entrada para produtos chineses que acabam chegando ao mercado norte-americano com valores considerados desleais à indústria local. Como consequência direta, a China se tornou o principal alvo das novas tarifas aprovadas.
Apesar disso, o Brasil aparece entre os países afetados, uma vez que não mantém acordo de livre comércio com o México. Exportações brasileiras de aço, químicos, têxteis e outros bens manufaturados podem enfrentar maior dificuldade de competitividade no mercado mexicano a partir do próximo ano. Ainda que o impacto final dependa da reação de empresas e setores produtivos, especialistas já consideram que os custos de exportação para o México tendem a subir.
O governo de Sheinbaum também tem sinalizado que o reajuste tarifário faz parte de uma estratégia maior voltada para as negociações do acordo de livre comércio com os Estados Unidos e o Canadá o USMCA previsto para revisão em 2026. O bloco movimenta cerca de US$ 800 bilhões ao ano em intercâmbio comercial entre mexicanos e norte-americanos. Ajustes internos, como a revisão tarifária, são vistos como um mecanismo de fortalecimento da posição mexicana antes das rodadas de discussão.
As novas tarifas, portanto, representam não apenas uma resposta a pressões externas, mas também uma tentativa de realinhar a política industrial do México em um cenário global marcado por disputas comerciais acirradas e reconfiguração de cadeias produtivas. Resta agora acompanhar os próximos passos, sobretudo a sanção presidencial e o impacto prático sobre o fluxo de comércio internacional a partir de janeiro.
Fonte: Jovem Pan