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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 19:53

Maior iceberg do mundo pode colapsar em semanas, diz Nasa

Nasa / Divulgação

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Imagens de satélite mostram o A-23A coberto por poças de água derretida e sinais de ruptura estrutural.

O maior iceberg atualmente registrado no planeta, identificado como A-23A, está em processo acelerado de deterioração e pode se desintegrar nas próximas semanas, segundo informações divulgadas pela Nasa. As evidências se baseiam em imagens captadas por satélites e pela Estação Espacial Internacional, que revelam grandes áreas de água acumulada sobre a superfície do bloco, além de fissuras e sinais de fragilidade estrutural.

O A-23A se desprendeu da Antártida em 1986, com cerca de 4 mil quilômetros quadrados de extensão — uma área mais que duas vezes superior à da cidade de São Paulo. Após décadas exposto às condições oceânicas e climáticas, o iceberg perdeu grande parte de sua massa e hoje mede pouco mais de 1,1 mil quilômetros quadrados, tamanho aproximado ao do município do Rio de Janeiro. O deslocamento recente o levou ao Atlântico Sul, entre a Geórgia do Sul e o extremo leste da América do Sul, em águas mais quentes e suscetíveis ao derretimento.

Uma fotografia tirada por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional em 27 de dezembro de 2025 mostra uma visão mais próxima do iceberg. Densidades de derretimento azul marcante cobrem quase a superfície superior da A-23A, exceto por uma fina borda branca ao longo da borda — uma área onde o gelo se deformou para cima. Nuvens finas atravessam diagonalmente a imagem, obscurecendo parcialmente a visão.

As imagens mais recentes, de 26 de dezembro, mostram extensas poças azuladas resultantes de água derretida. Pesquisadores afirmam que a pressão exercida pelo acúmulo de água nas fissuras acelera o processo de rompimento, um fenômeno conhecido como hidrofratura. A presença de uma linha branca ao redor das bordas indica deformação causada pela ação da temperatura e do movimento oceânico.

O cientista Chris Shuman, da Universidade de Maryland, aponta que o iceberg parece ter sofrido uma espécie de “explosão” interna, quando a água acumulada perfurou o gelo e escapou em direção ao oceano. Para o pesquisador, o A-23A dificilmente resistirá ao restante do verão no hemisfério Sul, já que está sendo conduzido por correntes para áreas ainda mais quentes, onde as taxas de derretimento tendem a aumentar.

O A-23A também foi acompanhado de perto por seu comportamento inusitado ao longo das últimas décadas. Após ficar encalhado no Mar de Weddell por mais de 30 anos, ele se soltou em 2020, atravessou um vórtice oceânico, quase colidiu com a Geórgia do Sul e seguiu fragmentando-se ao longo de 2025. O evento se tornou objeto de estudo para o entendimento da dinâmica dos megaicebergs e de sua interação com o sistema climático.

Para os cientistas, o desaparecimento é inevitável, mas deixa um legado científico. A Nasa destaca que as ferramentas de satélite permitiram monitorar o iceberg com nível inédito de detalhe, ampliando o conhecimento sobre a Antártida e sobre a influência dos processos oceânicos no derretimento polar.

Redação

Referência: https://science.nasa.gov/earth/earth-observatory/