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Boa Vista - RR, 10 de maio de 2026 as 21:56

Maduro decreta estado de exceção diante de tensões com os EUA

Foto: EBC

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assinou um decreto que institui o “estado de comoção externa”, medida prevista na Constituição do país para situações de ameaça à segurança nacional. O anúncio foi feito pela vice-presidente Delcy Rodríguez, em meio à crescente tensão com os Estados Unidos, que recentemente enviaram navios de guerra e um submarino nuclear ao Caribe.

Segundo Rodríguez, o decreto concede poderes especiais ao governo, permitindo a mobilização das Forças Armadas em todo o território, a ocupação militar de serviços públicos, indústrias estratégicas e da área de hidrocarbonetos, além do fechamento de fronteiras marítimas, aéreas e terrestres em caso de agressão externa. A vigência inicial é de 90 dias, prorrogáveis pelo mesmo período com aprovação do Legislativo.

A medida foi apresentada como resposta às ações norte-americanas, classificadas pelo governo venezuelano como “uma ameaça proibida pela Carta das Nações Unidas”. “Se chegarem a atacar nossa pátria, temos o decreto que dá poderes especiais ao Chefe de Estado para defender a Venezuela”, declarou Rodríguez.

O decreto foi submetido à análise do Tribunal Supremo de Justiça e de órgãos de defesa. Organizações não governamentais de direitos humanos, como Provea e Acceso a la Justicia, aguardam a publicação no Diário Oficial para avaliar os limites da medida.

O contexto, no entanto, vai além da tensão militar. A Venezuela enfrenta uma crise humanitária marcada por escassez de alimentos, medicamentos e êxodo em massa da população, além das sanções econômicas impostas por diversos países. Para analistas, a concessão de novos poderes a Maduro pode servir tanto como instrumento de defesa externa quanto como reforço do controle político interno.

Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com atenção os próximos passos do governo venezuelano, diante da delicada situação social e do risco de agravamento das tensões diplomáticas e militares na região.

Redação