Ministro pede demissão após relatar cansaço e afirma ter cumprido sua missão. Governo ainda não definiu substituto e pasta será comandada interinamente.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, entregou nesta quinta-feira (8) sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma reunião reservada no Palácio do Planalto. O encontro ocorreu pouco antes da cerimônia que marcou os três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de Janeiro, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
A saída de Lewandowski surpreendeu parte do governo e do meio jurídico. Aos 77 anos, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal — onde atuou por 17 anos — relatou cansaço ao presidente e disse considerar que sua “missão foi cumprida” à frente da pasta. A pessoas próximas, afirmou que seu ciclo no Executivo se encerrou com entregas consideradas relevantes para a segurança pública e para o diálogo institucional.
Apesar da saída, o governo ainda não tem um nome definido para assumir o cargo. O secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto deverá responder interinamente pelo ministério até que Lula escolha o novo titular. A expectativa é que a definição leve alguns dias, enquanto o Planalto avalia candidatos e articula politicamente com aliados no Congresso.
Além de Lewandowski, integrantes importantes da equipe técnica também devem deixar seus postos, entre eles o próprio Manoel Almeida, o que pode alterar a composição interna do ministério e influenciar o ritmo de tramitação de propostas consideradas estratégicas pelo governo.
Durante a gestão de Lewandowski, avançaram no Congresso duas pautas prioritárias: o Projeto de Lei Antifacção, que endurece o combate a organizações criminosas e tipifica condutas relacionadas ao crime organizado; e o projeto que reformula o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), buscando ampliar a integração entre forças federais e estaduais.
Nos bastidores, interlocutores reconhecem que a saída ocorre em um momento sensível, já que há disputas sobre atribuições da pasta e pressões para acelerar ações de repressão ao crime organizado. Ao mesmo tempo, o episódio reabre discussões sobre o perfil desejado pelo governo para o próximo ministro — se mais técnico, de articulação política ou de perfil jurídico.
A decisão também coloca holofotes sobre o futuro da política de segurança pública do governo Lula, em um contexto de crescimento das milícias e do crime organizado em diversas regiões metropolitanas do país, além da pressão de governadores por mais recursos e coordenação.
Fonte: Jovem Pan